
Depois de muito refletir e rever minha caminhada, em 2008, dei meu sim definitivo. E para cultivar meu chamado, renovo o meu sim a cada dia, procurando permanecer na sintonia certa, para não me perder em locuções erradas, tornando cada dia o meu desejo subjetivo, em objetivo de vida.
"INQUIETO ESTAVA MEU CORAÇÃO, ENQUANTO NÃO REPOUSOU EM DEUS"
O nosso coração é como um rádio, que tem várias sintonias; muitas vezes somos impulsionados a ligá-lo, e ligando-o, sentimos que entramos em sintonias nas quais muitas vezes não dá para se entender muito bem o que o locutor esteja a falar. A nossa vida de vocacionados para o reino de Deus é como esse rádio, onde o nosso coração é a chave que gira em busca da sintonia certa. Quando ele está a procura, se depara com várias sintonias que trazem locuções erradas, e é preciso ter uma agudez de ouvido, para entender o chamado certo ou a sintonia certa.
A palavra vocação vem do latim: voco, vocare = chamar - actos = ação; ou seja, é um chamado para uma ação dentro do Reino de Deus. O meu chamado nasceu do desejo, sempre presente no meu coração, de estar disponível para a Igreja. São Francisco de Assis sempre foi para mim, como para todo jovem que procura um exemplo de vida, um santo de inspiração, e em quem me apeguei nos tempos de juventude, formando minha espiritualidade, dentro dos grupos que o tiveram como patrono. Foi nesse período, que conheci o padre Pio de Pietrelcina, e me encatei pela seriedade com a qual ele vinslumbrava a grandeza de Deus dentro da Igreja. Descobri, a partir daí, que aquilo que eu sentia no meu coração, era um chamado subjetivo de Deus, e as minhas dúvidas começaram a desaparecer. Comecei a perceber pela sensibilidade que se formava em mim, que eu era chamado por Deus cada dia mais, para tornar objetivo aquilo que havia em mim de subjetivo.
A partir de então, desejei mais e mais ser franciscano, e isso se intensificava cada vez que eu via os jovens do meu tempo tomando suas direções de vida. Eu precisava também, de alguma forma responder ao chamado de Deus que ardia dentro de mim. Foi nesse momento que criei um objetivo de vida, o qual coloquei dentro do projeto de Deus; tudo isso foi se processando ao longo de minha vida; e para não tomar nem uma decisão imatura e precipitada, só em 2003, aos 33 anos de idade, pude responder ao chamado do Senhor, através de uma entrega de minha vida inteira, não como franciscano, do modo que havia sonhado, mas como premonstratense, filho de São Norberto.
Entretanto, antes de decidir, após o primeiro contato com a comunidade, precisei conhecer um pouco mais a realidade da mesma, sendo provado em algumas áreas da minha vida, para depois encontrar uma indentificação pessoal. E assim aconteceu, fui cativado pelo carisma, vida e convivência fraterna com os irmãos.
Passei por todas as etapas exigidas pelos estatutos da Igreja, e em 2006, após experiência e decisão obtidas, fiz os meus primeiros votos, os quais sempre procurei viver com fidelidade. O tempo foi passando, e fui encontrando cada dia mais meu espaço e identificação pessoal com a comunidade religiosa mediante a convivência, o que me fez adquirir uma grande experiência através do tempo.
Depois de muito refletir e rever minha caminhada, em 2008, dei meu sim definitivo. E para cultivar meu chamado, renovo o meu sim a cada dia, procurando permanecer na sintonia certa, para não me perder em locuções erradas, tornando cada dia o meu desejo subjetivo, em objetivo de vida; não como tinha sonhado outrora, mas como Deus sonhou desde toda eternidade. Como premonstratense que sou, procuro viver o lema de nossa Ordem: "PRONTOS PARA TODA BOA OBRA" vivendo num "SÓ CORAÇÃO E NUMA SÓ ALMA EM DIREÇÃO A DEUS" (Uno cor et anima una in Deum).
Percebemos, no interior da Igreja, muitas formas de serviço vocacional, destacamos: o sacerdócio, que é um serviço de mediação entre o povo e seu Deus pela santa missa; os leigos que não tem o múnus sacerdotal, mas que tem um espaço todo especial dentro da Igreja, estes se dividem em leigos que não tem vínculos diretos com comunidade religiosa, e os que são escolhidos para estar a serviço de modo mais especial, morando em um convento; como eu, que me realizo de forma humana e espiritual, completando-me em Deus, através da oração e do trabalho cotidiano que sou levado a realizar na alegria, tendo como conseqüência, uma maturidade conquistada pelo crescimento adquirido diariamente!
Muita paz em Deus, Nosso Senhor !
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