Aliança Norbertina

Dom Paulo Meyfroot, O. Praem. 31/07/10

Sacerdotes religiosos em meio a uma tríplice tensão entre a contemplação, a ação e a comunhão.

Reflexões do Abade Geral Dom Tomás Handgraetinger O.Praem; a partir de três impulsos bíblicos.

1. A mulher samaritana (Jo 4,1-42)

2. O Samaritano misericordioso (Lc 10, 25-37)

3. Os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35)

Tomando como ponto de partida três impulsos bíblicos, queremos refletir sobre nossa vida de cônegos regulares. Os irmãos leigos, os professos que ainda não foram ordenados e todos nós somos chamados para cantar o ofício coral. Além disso, a maioria dos irmãos foi chamada para o serviço sacerdotal. Independentemente da sua missão concreta, há sempre três elementos que se imprimem nessa vida canonical: a comunhão, a ação e a contemplação.

Isso foi o objeto de muita reflexão e estudo, desde o capítulo de renovação de Innsbruck, em 1968 e 1970. É verdade que esses três aspetos fundamentais da vida espiritual não identificam a nossa Ordem de maneira exclusiva; pois, cada ordem religiosa procura vivê-los de alguma maneira. Porém, a forma de combiná-los constitui uma característica principal da nossa consciência canonical. Por essa forma idealmente própria, diferimos dos monges, dos sacerdotes seculares, e também dos cônegos seculares.

No final do mês de dezembro de 2004, organizou-se em Roma um primeiro congresso internacional sobre a vida consagrada a Deus, com a divisa “Apaixonados por Deus, apaixonados pela humanidade”. Nele participaram 847 homens e mulheres que vieram dos 5 continentes. Num clima experimentável de solidariedade, se fez pela primeira vez um trabalho em parceria entre irmãs, irmãos e padres, entre religiosos vindos de igrejas ‘novas’ e ‘antigas’, entre superiores, religiosos jovens e teólogos. Houve temas como a inculturação, os meios de comunicação, a autoridade, a formação, a arte, a Sagrada Escritura, a vida comunitária, a vida religiosa dentro da Igreja, as estruturas, a solidariedade, a paz e a justiça.

O tema central que uniu as palestras, os ofícios litúrgicos e as oficinas - ou workshops -, foi a divisa: “Apaixonados por Deus - Apaixonados pelos homens”. Uma dupla de ícones bíblicos orientou o trabalho: as figuras da Samaritana (Jo. 4,1-42) e do samaritano misericordioso (Lc. 10, 25-37), que anteriormente haviam sido apresentados de maneira extensiva num documento (‘Instrumentum Laboris’). Segundo o teor do congresso, o futuro para a vida religiosa encontra-se numa abertura a uma vida nova, dentro daquela perspectiva ‘samaritana’, - uma vida inspirada pela sede de Deus e por uma entrega profunda à humanidade que sofre.

Essa dupla de ícones bíblicos é muito chamativa para mim, e parece-me oferecer uma chave para um maior esclarecimento da nossa vida premonstratense. Esses dois ícones podem identificar-se facilmente com “contemplatio” e “actio”. Quereria agregar uma terceira ímagem, correspondente à “communio” como terceiro elemento da nossa vida, que poderia abrir também o seu sentido profundo: a história de Emaús (Lc 24,13-35). O nosso capítulo geral de 2006 desenvolveu-se na luz daquela experiência em Emaús: “Não nos parecia que o nosso coração queimava dentro do peito?” Propõem-se agora três impulsos.

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