Aliança Norbertina

Abade Jos Wouters 19/09/10

O que é uma vocação autêntica? Qual capacidade apropriada nos torna aptos a viver e trabalhar na Ordem Premonstratense?

Refletindo sobre os critérios que nossas Constituições dão para a admissão de candidatos, o abade José Wouters respondeu às seguintes perguntas: Que é uma vocação autêntica? E que é a capacidade apropriada para poder viver e trabalhar em nossa Ordem?

Uma vocação autêntica

O Papa João Paulo II descreveu a vocação como uma tomada de consciência da palavra de Cristo “vem e segue-me”, ou também como um encontro íntimo com o amor de Cristo. O papa considera a descrição da vocação do jovem rico como a imagem da estrutura íntima de cada vocação para a vida consagrada. O centro da vida religiosa consiste no seguimento de Cristo de perto. A consagração religiosa nasce da vocação mesma que provém exclusivamente do amor único, pessoal e gratuíto de Deus para com cada pessoa que ele chama. A vocação é o elemento espiritual que forma o fundamento para o desejo de entrar numa comunidade religiosa. Não é fácil formar-se um juízo sobre a autenticidade da vocação dum candidato. Se a motivação fundamental para entrar numa comunidade não é pura, a vocação não será autêntica.
A importância central da vocação para a vida religiosa tem consequências práticas. Candidatos que não demonstram sinais de uma vocação, não serão admitidos. O candidato não pode ser obrigado a entrar, ou convencido pela sugestão de motivações impróprias.

A capacidade apropriada para a vida e o trabalho comunitário

No primeiro lugar, a vocação é uma realidade interior e espiritual. Porém, para discernir a autenticidade de uma vocação, o magistério da Igreja examina principalmente os critérios objetivos. A importância central dada à vocação pessoal forma uma novidade na reflexão sobre a vida religiosa.
Isso começou com a Constituição Apostólica Sedes Sapientiae de 1956, sobre a formação dos candidatos para a vida religiosa. Nela o Papa Pio XII indica o chamado de Deus como fundamento da opção por entrar na vida religiosa. Sem esse chamado, a decisão de entrar carece do fundamento essencial. Segundo Pio XII, os dons e as graças necessárias para responder à vocação e para aperfeiçoá-la, são doadas junto com a vocação. Se alguém se sente chamado para algo que não é capaz de realizar, ou pelo qual não possui as disposições necessárias, ele não tem uma vocação autêntica.

O desejo de servir a Deus e os homens, segundo o nosso modo de viver, implica necessariamente o desejo de entrar numa comunidade concreta de nossa Ordem.
As constituições determinam que se aceitem somente aqueles que possuem aquelas qualidades com as quais poderão concorrer positivamente para a vida e o trabalho de nossas comunidades. Esta definição reporta-se à comunidade concreta à qual o candidato se apresenta. O perfil do candidato deve corresponder de alguma maneira com a comunidade na qual deseja entrar. Neste sentido, as nossas Constituições encontram-se no mesmo comprimento de onda que a doutrina desenvolvida nos últimos decênios pela Igreja.
Ao apresentar-se um candidato com uma vocação autêntica mas sem o perfil desejado pela comunidade, pode ser conveniente orientá-lo para outra comunidade ou para outra forma de vida mais adequada.

 
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