
A Conferência dos Religiosos da Brasil (CRB) percebendo as contundentes mudanças culturais trazidas para o interior da Vida Religiosa, com novidade dos tempos chamados de modo geral como “pós-modernos”, viu-se chamada a refletir sobre essa influência na Vida Religiosa, através da realização do 1º Congresso das Novas Gerações.
Por isso tornou-se urgente intensificar a reflexão acompanhada da disposição de acolher os novos tempos, sem perder a fidelidade à herança cristã da Vida Religiosa. Abriu-se um amplo diálogo em que a responsabilidade de acolher e elaborar o futuro são tomados como uma tarefa conjunta entre as diversas idades da Vida Religiosa hoje.
Com o Congresso abre-se neste sentido uma alternativa que contempla um espaço de expressão para a reflexão entre pessoas ou grupos, deixando que a força da reflexão produza a seu tempo os seus frutos. Permite ao mesmo tempo em que a pluralidade das pessoas que dele participam assinale a riqueza diversificada desta busca em comum.
No ano de 2003 a CRB-Nacional propôs a criação de grupos de reflexões por todo o Brasil, de Norte a Sul, com o objetivo de discutir sobre três temas muito caros para a Vida Religiosa: 1º Memória da Vida Religiosa (VR) no Brasil; 2º Poder e Participação na Vida Religiosa; 3º Sexualidade e Afetividade. Num total de 64 grupos de reflexão: 31 Poder e Participação; 18 Sexualidade e Afetividade; 15 Memória e Futuro. Após terem feitas as discussões, cada grupo enviou para a CRB-Nacional um relatório síntese para servir como base do Congresso.
O Congresso realizou-se na cidade de São Paulo (SP), nos dias 15 a 18 de junho deste ano, contando com 1.300 religiosos/as de inúmeras Casas Religiosas, de vários lugares do Brasil. No Congresso estavam presentes quatro Religiosos Premonstratenses: Ir. Tiago (Priorado Itinga-BA) e os Ir. Andrés, Ir. Alessandro e Ir. Divino (do Priorado de Montes Claros-MG).
A organização do Congresso se deu da seguinte forma: no primeiro dia a temática foi a Memória da VR; com conferencistas; expositores e testemunho de religiosos (que apresentaram a experiência de ousadia e de coragem profética de duas religiosas e um religioso e de um bispo religioso que deram e que estão dando sentido a sua consagração afinada com os apelos da atual conjuntura social e cultural). No segundo dia, foi Sexualidade e Afetividade, no terceiro dia foi Poder e Participação, seguindo a mesma organização citado anteriormente. E no quarto dia foi marcado pela celebração Eucarística, pela apresentação cultural (Novas Gerações em linguagem artística) e pela fala da presidenta Marais Bolzan (Novas Gerações realces e prospectivas).
Alguns questionamentos dos Conferencistas, dos Expositores e Congressistas:
1. A vivência da missão apostólica é a que mais questiona a hierarquia da Igreja, e a que mais sente os impactos da Crise Cultural;
2. A formação não está oferecendo apenas teoria?;
3. Como a geração do “pós-moderno” não tem segurança, o religioso está sendo confrontado a todo o momento por afirmações pessoais, causando individualismo;
4. Boas intenções não fundamentam a Vida Religiosa;
5. Sair do isolamento e repensar os objetivos e métodos utilizados na formação;
6. Voltar-se aos pobres. Puebla e Medelim não podem ser esquecidos;
7. Formação intelectual para conseguir enfrentar os desafios modernos;
8. “Consumo logo existo”;
9. Cada um que chega na casa de formação já vem mapeado - processo de admissão do vocacionado: não se olha o chamado, mas o que ele tem a contribuir para os trabalhos na Comunidade;
10. O que você quer é o que você deseja?;
11. Símbolo da contemporaneidade: o aeroporto, passagem de viajante: a Casa Religiosa se torna cheia de pessoas estranhas;
12. A comunidade não deve ter medo do pensamento diferente;
13. “O ser humano só é autônomo se passar por um processo de humanização” (Kant). Gerar humanidade e autonomia é dar confiança.
14. Na formação religiosa não se leva em conta a educação anterior do vocacionado;
15. São os jovens que não se adequam a estrutura religiosa, ou a estrutura religiosa que não cabe mais nos jovens;
16. A vocação modula nossa subjetividade;
17. Problema na Igreja e nas Comunidades: muito poder e pouca autoridade;
18. Poder é prazer de mando, de dar ordens;
19. “Poder é capacidade de ação em conjunto” (Hannah Arendt);
20. Formação crítica, permanente e humanizadora.
21. A formação termina com os votos solenes e como organizar a formação permanente?!
22. É importante que haja incentivo para que mais irmãos participem das programações da CRB, sendo possível um enriquecimento nas reflexões da comunidade.
23. Como criar espaços de fraternidades entre as etapas (Postulantado, Noviciado, Juniorado e Cônegos) e entre todos os irmãos da comunidade.
24. Projeto de formação de crescimento que leve em consideração todas as etapas.
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