
O primeiro premonstratense da abadia de Park (Bélgica), enviado para o Brasil, foi Hugo Fesingher. Viajando junto com o segundo grupo de confrades da abadia de Averbode, ele embarcou em Antuérpia, aos 4 de maio de 1897 com destino a Harwich (Inglaterra). Um segundo barco chamado ‘La Plata’ saiu de Southampton e levou os confrades para o Brasil. Desembarcaram no porto de Santos no dia 31 de março de 1897. No começo, o Pe. Hugo ficou em Pirapora, para aprender a língua e os costumes.
O bispo de Mariana foi informado sobre a chegada dos missionários de Averbode em Pirapora e escreveu ao superior deles, o Pe. Vincente Van Tongel, para pedir a fundação dum convento premonstratense na sua diocese. Aos 12 de abril de 1898, o Pe. Hugo Fesingher deixou Pirapora, para conversar com o bispo de Mariana, em vista à preparação duma nova missão premonstratense.
O abade de Parc, Dom Quirino Nols, quis acompanhar a nova fundação, Aos 6 de junho daquele ano, chegou ao Brasil, junto com os cônegos Alderico De Pauw e Carlos Vincart. No encontro com o bispo de Mariana, lhes foi confiada a paróquia de Congonhas do Campo. O Pe. Hugo foi nomeado pároco, com a ajuda de seus confrades.
O Pe. Vincart acompanhava o bispo durante as suas visitas pastorais; assim pôde conhecer boa parte da região, inclusive a cidade de Sete Lagoas, que era a parada final da estrada de ferro Central do Brasil.
Para essa cidade, os padres Hugo e Carlos projetaram um colégio, que foi inaugurado aos 15 de outubro de 1900. Os padres Hugo, Carlos e José Boelaerts ficaram responsáveis pela paróquia, enquanto o prior Alderico De Pauw e o Pe. Tiago Rosier permaneceram em Congonhas.
Porém, o colégio formado pelos premonstratenses na cidade de Sete Lagoas não dava satisfação. Decidiu-se tentar uma fundação no sul do Brasil, onde o clima é mais temperado, e um colégio poderia alcançar maior sucesso do que em Sete Lagoas. Com a licença do superior, os padres Moureau e Vincart partiram para o Estado do Paraná. Ali, eles não encontraram as necessárias garantias para a fundação de um colégio.
Decidiu-se então dar uma resposta favorável aos pedidos repetidos do bispo auxiliar de Diamantina, dom Joaquim Silverio de Souza. Para encontrar na sua fazenda o bispo dom João Antonio dos Santos, os padres Carlos Vincart e Francisco Moureau viajaram mais de 500 quilômetros a cavalo. No dia 17 de julho de 1903, aconteceu o encontro. Cego, mas ainda vigoroso, apesar de seus 83 anos de idade, o bispo lhes propôs várias grandes paróquias, como: Paracatú, Salinas e Montes Claros. Ouvindo a preferência para Montes Claros, o bispo nomeou pároco ao Pe. Vincart, e vigário ao Pe. Francisco Moureau. No entanto, os padres Fesingher e Boelaerts continuaram em Sete Lagoas.
Foi da cidade de Sete Lagoas, que os dois primeiros missionários, o Pe. Carlos Vincart e o Pe. Francisco Paulo Moureau iniciaram, no dia 9 de julho 1903, sua longa viagem a cavalo para Montes Claros. Chegaram alí aos 27 de julho de 1903.
O novo campo de apostolado, aberto ao zelo dos primeiros filhos de São Norberto no Sertão, não tinha menos de 26 léguas de comprimento por doze de largura. (Para compreender isso: nove léguas separam Bocaiúva de Montes Claros, ou seja 50 quilômetros). Os meios de comunicação eram primitivos: cavalgar por péssimos caminhos, abertos pelos cascos das montarias, transpondo rios e córregos sem pontes, atravessando serras e montanhas em veredas que mais pareciam caminho de cabras do que estrada de homens.
Em Montes Claros, além do trabalho pastoral na sede e na zona rural, o Pe. Carlos fez, com a ajuda do Padre Chico, Padre Bento e Padre Maurício, uma revolução social.
1° Promoveu a vinda de D. Joaquim Silvério de Souza, em maio 1904, que resultou na fundação da Confraria do Sagrado Coração e do Apostolado da Oração e da Conferência de São Vicente de Paulo. 2° Fundou uma biblioteca; o Colégio São Norberto; o Grêmio Literário Mont’Alverne; e o Clube de amadores teatrais, São Genesco. 3° Introduziu o futebol em 1905. 4° Criou em 1907 “A Verdade”, jornal valente que viveu até 1917. 5° Fundou o Colégio Imaculada Conceição para moças. Pe. Francisco Moureau procurou a colaboração de religiosas para a direção do colégio e da Santa Casa. No fim de abril de 1907, ele regressou para o Brasil com dois novos padres de Park e 4 irmãs da Congregação do Sagrado Coração de Maria de Berlaar.6° O Pe. Carlos instalou um observatório de Meteorologia. 7° Instalou um pequeno museu de História Natural. 8° Liderou o movimento para criação da diocese de Montes Claros. 9° Por fim, sua casa era aberta ao povo.
Naquele tempo a cidade de Montes Claros tinha entre 6.000 a 7.000 habitantes. Fora da matriz, havia 3 capelas: a do Rosário, a da Santa Casa e a do Bom Jesus dos Passos. Fora da cidade, o pároco visitava 12 capelas e 7 paróquias vizinhas (entre as quais: Romão, Capão Redondo, Jequitaí e Pirapora).
Os padres percorreram as comunidades rurais, sempre em lombos de burros e cavalos, tarefa árdua e penosa, apesar de ser gratificante pelo carinho dispensado em meio ao povo campesino. Atravessavam toda a região, até às margens do rio São Francisco, visitando as capelas e asistindo os enfermos. O Pe. Maurício fala de 99 viagens, cavalgando uns 8.000 quilômetros. A pedido do bispo de Uberaba, o Pe. Gaspar visitou São Romão e Formosa (no estado de Goiás).
Ao passar por Diamantina, sede do bispado, no dia 6 de maio de 1907, o Pe. Francisco foi nomeado vigário da paróquia do Bonfim de Bocaiúva, por Dom Joaquim Silvério de Souza.1
Em 1911, Montes Claros se tornou sede de Diocese. Dom João Antônio Pimenta é seu primeiro bispo,
Na sua carta pastoral de saudação, em 1911, Dom João Pimenta escreveu: “Permiti que distingamos com uma saudação particular aos Padres Premonstratenses, em boa hora colocados e, por inspiração divina, na cidade destinada a ser a sede desta nova circunscrição eclesiástica. A supereminência dos méritos desses virtuosos sacerdotes (…), os relevantes serviços prestados a toda essa região com a fundação de dois colégios, o concurso inteligente, enérgico e eficaz que prestaram ao bispo de Diamantina para a realização da fecunda idéia da criação dessa nova diocese, o zelo infatigável e apostólico com que têm cumprido os deveres do munus paroquial, a difusão da boa doutrina por uma folha periódica de sua propriedade e redação, todos esses títulos de benemerência deram-lhes direitos, e muito principalmente ao R.S. Cônego Carlos Vincart a um lugar de honra nesta nossa primeira carta pastoral”.
No mês de março de 1947, o Padre Huberto Murta, fundou em Montes Claros a Escola Apostólica São Norberto (‘Seminário Premonstratense’) que dirigiu por longos anos
Em 1920, houve uma visita canônica pelo vice-prior de Parc. Por ela o abade Quirino Nols quis promover uma concentração dos confrades em Montes Claros, para formar um convento de vida regular. A grande dispersão dos confrades era o resultado do objetivo segredo do bispo de Diamantina, porque em 1903, houve na sua diocese 48 paróquias sem pároco. No entanto os padres adaptaram-se à situação, deixando de lado a propria forma de vida. Porém, a partir de 1920, vai ter várias tentativas para restaurar a forma de vida regular. Pouco a pouco deram-se passos para chegar à forma plena da nossa vida canonical, inspirada pela vida da Igreja primitiva de Jerusalém: anunciando a Ressurreição, louvando a Deus, celebrando a Eucaristia, vivendo unidos pela caridade, compartillando tudo.
Em 2002, a comunidade de Montes Claros tornou-se priorado independente. Os seus juniores estudam em Belo Horizonte e permanecem na casa de Contagem.Com gratidão lembramos do trabalho generoso de tantos irmãos que, guiados por Dom José Alves Trindade e depois por Dom Geraldo Majela de Castro (premonstratense de Montes Claros), foram capaces de “absorver uma eclesiologia nascida do Concílio Vaticano II, possibilitando a emergência de uma Igreja popular com uma forte presença e preocupação com os mais pobres.”
Lembramos especialmente do Padre Herman-José Durval Ferreira de Morais que foi durante quase 40 anos pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição e São José de Montes Claros, e do Pe. João Batista de Souza Lopes, pároco da paróquia de São Norberto, desde 1982.
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31/12/05 | Programa do encontro em Montes Claros - janeiro/2006 |
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15/12/12 | Crônica de Montes Claros - 15.12.2012 |
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15/06/12 | Crônica de Montes Claros - 15.06.2012 |
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15/12/11 | Crônica de Montes Claros - 15.12.2011 |
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31/12/10 | Crônica de Montes Claros - 31.12.2010 |
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30/06/10 | Crônica de Montes Claros - 30.06.2010 |
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15/12/09 | Crônica de Montes Claros - 31.12.09 |
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31/05/09 | Crônica de Montes Claros - 30.06.09 |
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31/12/08 | Crônica de Montes Claros - 31.12.08 |
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16/07/08 | Crônica de Montes Claros - 30.06.08 |
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20/12/07 | Crônica de Montes Claros - 20.12.07 |
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20/08/07 | Crônica de Montes Claros - 20.08.07 |
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16/01/07 | Crônica de Montes Claros - 30.12. 2006 |
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14/07/06 | Crônica de Montes Claros - 30.06.2006 |
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31/12/05 | Crônicas de Montes Claros - 30.12.2005 |
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06/07/05 | Crônicas de Montes Claros do 30.06.2005 |
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31/12/04 | Crônicas de Montes Claros - 30.12.2004 |