Aliança Norbertina

Abade Geral Dom Tomás Handgrätinger 23/12/07

Mensagem de Natal - 2007

Queridas Prioras e Irmãs, Queridos Prelados e Irmãos,

1. Deus chegou

No ano 2008, o mundo da música celebrará o centésimo aniversário do nascimento do grande compositor francês Olivier Messiaen (1908 - 1992). Num cartão de visita, ele mesmo se chamou de compositor, ornitólogo e ritmólogo. Em 1944, Messiaen escreveu uma obra para piano, intitulada "Vingt Regards sur l’Enfant Jésus Christ" (Vinte olhadas para o menino Jesus Cristo), ou seja, vinte expressões musicais da Encarnação. Inspirado pela Bíblia e pela liturgia, ele combina as três eucaristias de Natal ("Missa in nocte" , a missa dos anjos - "missa in aurora", a missa dos pastores - "missa in die", a missa solene no dia de Natal, com "os três nascimentos divinos": o nascimento eterno do Filho, celebrado durante a noite, o nascimento histórico em Belém, celebrado na madrugada, o nascimento divino na alma do homem, celebrado no dia. Para aquele grande artista e teólogo, que sempre se manifestou como crente ("Je crois en Dieu, je suis né croyant" - Creio em Deus, nasci como crente), a festa de Natal era um acontecimento importante. O cristão é aquele que compreende que Deus veio. Isso constitui a mensagem essencial do Natal. Nós acreditamos, e celebramos a vinda de Deus neste menino Jesus. O Deus, por tanto tempo esperado, desejado e chamado, desceu e tornou-se homem, numa maneira que ultrapassa toda imaginação humana. "Deus se tornou pequeno para nós, Deus não vem com poder exterior; ele vem com a impotência de seu amor, no qual reside seu poder" (palavras do Papa Bento XVI em Mariazell) . O que constitui o ser cristão e o ser religioso, é acolher isso e compreendê-lo, não somente com a cabeça, mas com o coração e a inteligência. Trata-se de acreditar e de professar isso como uma realidade renovadora e libertadora para nossa vida. Trata-se de viver isso, de tirar disso força e impulso para uma procura permanente e um amadurecimento duma existência realmente humana. Oxalá possamos acreditar realmente que Cristo veio, que chegou neste mundo, em nossa vida, em nossas comunidades, que Ele está sempre presente, sendo capaz de atuar, como realidade fundamental, que dá e conserva a vida, como último sentido que oferece a todos existência, sentido e futuro.

Diante deste mistério, que faríamos, senão nos ajoelhar como os pastores, e como São Norberto a quem vemos em muitos pinturas ajoelhado diante do presépio?

2. a estrela

Ao entrar na basílica menor de Osterhofen, - a famosa igreja rococó da antiga abadia premonstratense Osterhofen na Baixa Bavaria - observa-se uma estrela, no chão de mármore, diante do altar central. Olhando para acima, observa-se uma pintura com São Norberto, ajoelhado diante do presépio, entregando o documento da sua profissão ao menino Jesus. No dia de Natal do ano 1121, o fundador da nossa Ordem fez profissão junto com 30 companheiros, e fundou assim a nossa Ordem. O começo da nossa Ordem está vinculado com o mistério da Encarnação. Segundo a antiga tradição, o irmão de Osterhofen, no dia da sua profissão, se prostrava sobre a estrela, e em seguida, colocando as suas mãos entre as do prelado, pronunciava os votos de pobreza, castidade e obediência.

Segundo esse rito, a vida consagrada é um inserir-se no mistério da Encarnação do Filho de Deus, que "foi em tudo semelhante a nós, exceto no pecado." Tornar-se plenamente homem, numa existência fundada em Deus e totalmente a Ele consagrada, será isso o que Norberto procurou e quis realizar pela sua profissão? Tornar-se semelhante a Deus, imitando o espírito do Senhor, e não o orgulho do Lúcifer. "Sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. Foi achado na forma de homem."(Fil. 2, 6-7). Sejamos como Ele, o homem perfeito, o novo Adão: pela nossa profissão, nós fizemos a promessa de imitá-lo e de nos tornar semelhantes a Ele. A conversão permanente ("conversio morum") e a vida comunitária (vita communis") constituem o processo de nosso crescer humano, de nosso amadurecimento humano, conforme com o projeto e a vontade de Deus. O premonstratense, o norbertino é aquele que responde com a sua profissão àquele vinda de Deus, é aquele que, entregando-se totalmente a si próprio ("trado meipsum"), responde plenamente ao Deus que desceu entre nós.

Que faríamos, diante desse mistério, senão nos ajoelhar, nos tornar pequenos, para honrar o menino divino, como fizeram os sábios do oriente, como fazem também os seis cônegos ajoelhados diante do presépio, depois de tirar as suas coroas, para venerar o novo rei. (São seis reis e nobres que se tornaram premonstratense, no começo da Ordem.)

3. pedido e voto natalício

No ano 2009, o nosso encontro dos prelados terá lugar em Roma, Via di Monte Cucco. É concebido para nos encontrar fraternalmente e para trocar elementos de espiritualidade, a meio caminho entre os capítulos gerais de 2006 e 2012. Começamos a preparação daquele encontro, durante a última reunião do definitório em Schlägl (20 - 26 de setembro), A idéia proposta, foi de deixar participar todos os prelados da reflexão preparatória e de consultá-los com relação ao conteúdo. Você tem propostas com relação ao conteúdo, um tema ou uma problemática, que nós poderíamos assumir?

Seria prático recebermos propostas e reflexões nos próximos meses, antes do próximo encontro do definitório (30.03 - 02.04.2008 em Roma). Assim essa matéria poderia ser elaborada. Até agora se prevê somente o seguinte: um dia de recolhimento, um vademecum jurídico para os prelados, informações sobre o segundo encontro internacional das irmãs (02-09.08.2009 em Mariengaarde) e do segundo encontro de leigos associados (25-29.06.2009 em Tongerlo), e um encontro dos vigários do abade geral.

Em 2009, recordemos que faz 875 anos que o nosso fundador São Norberto faleceu (+ 1134 / 2009). Várias abadias celebrarão o jubileu de sua fundação, no mesmo ano da morte de São Norberto.

Com esta carta de Natal, os irmãos da casa generalícia, e eu pessoalmente, saudamos aos superiores, às prioras e aos prelados de nossas canonias, e a todas as irmãs e os irmãos. Desejo-lhes uma festa de Natal cheia de alegria e graça, uma participação profunda do mistério da Encarnação. Que nasça uma inspiração feliz do presépio e do menino divino, que nos convida para uma maior humanização de nós mesmos e de nossas comunidades.

Ao mesmo tempo agradeço, também em nome da cúria, por toda forma de encontro, de confiança, de apoio e de colaboração fraterna, durante o ano 2007.

Roma, Natal 2007.

 
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