Querido abade Miguel de Geras, querido abade emérito Paulo, delegado do abade geral para América Latina, querido Prior Milo, querido Prior Toninho, queridos irmãos,
Este fim de semana vai marcar a história desta comunidade. Neste fim de semana, a comunidade jovem de Itinga é elevada à dignidade de canonia (canonia sui iuris Itingensis). Hoje começamos essa elevação com esta missa votiva do Espírito Santo e com a eleição seguinte do primeiro prior de regimine, ou seja do primeiro prelado que vai dirigir esta comunidade. É a coroação jurídica do que se desenvolveu durante os últimos dez anos, pela colaboração imponente dos dois padres fundadores, o
Pe. Miguel e o Pe. Milo, e pelos confrades brasileiros. Aqui nasceu uma nova célula da Ordem. Todos os premonstratenses estão alegres e felizes, orgulhosos e contentes, - às vezes também um pouco invejosos, - pelo desabrochamento ultra-rápido, pelo dinamismo persuasivo dessa comunidade com suas muitas vocações e talentos, por seu entusiasmo e sua mobilização, por sua entrega e a alegria de viver brasileira.
Pela ocasião deste passo, quero, como abade geral, parabenizar cordialmente à comunidade de Itinga. Faço isso em nome do Definitório da Ordem que aprovou a elevação do Priorado dependente da abadia de Geras à canonia autônoma. Depois de intensa ponderação, e a pedido dos irmãos de Itinga, a abadia de Geras autorizou e aprovou este passo. Assim abre-se hoje uma nova página. Sejam bem-vindos no círculo das 42 canonias da Ordem, bem-vindos como ramo novo e jovem da árvore de são Norberto, bem-vindos na região eclesiástica e religiosa da prefeitura de Lauro de Freitas, bem-vindos na arquidiocese de São Salvador da Bahia e no Estado do Brasil. Trago as saudações e os desejos de bênção de toda a Ordem; felicito à comunidade pessoalmente, como abade geral, e em nome da Ordem.
Amanhã, a sua eminência, o cardeal dom Geraldo Agnello presidirá a eucaristia para promulgar a canonia. Agora vamos implorar especialmente o Espírito Divino que foi derramado abundantemente sobre seus corações pelo batismo e crisma, e pela consagração à vida religiosa. No batismo, o Espírito Divino desceu sobre Jesus, e o Pai o confirmou e proclamou solenemente: “Este é o meu Filho querido”. Hoje, por assim dizer, nós levamos a nova canonia ao batismo: que o Espírito desca também e faça arder os corações. Que o Senhor acolha essa fundação e a confirme, ao entrar ela na independência jurídica.
Na leitura do último capítulo da carta aos Hebreus, se recomendam três pontos principais que devem caracterizar a vida consagrada. Em primeiro lugar vem uma exortação à oração.
Sempre ofereceremos em Jesus o sacrifício de louvor a Deus. Uma comunidade religiosa é, em primeiro lugar, uma comunidade de oração, reunida com regularidade para a oração e o louvor de Deus, o doador de todo bem. Honramos a Ele com os lábios, e mais ainda, com o coração; exaltamos a Ele no meio de seu povo, junto com os fiéis e para o bem dos cristãos de nossas comunidades. Dessa oração e louvor procederá todo o bem que queremos realizar diariamente para os homens que nos foram confiados. A oração e a preocupação pastoral, a contemplatio e a actio caracterizarão a nossa vida comunitária.
Uma palavra da carta aos Hebreus é muito adequada para esse dia, em que elegemos um superior para esta canonia: “Obedeçam aos seus líderes e sejam-lhes submissos”. Esse é um primeiro aspecto. Outro aspecto é o seguinte: os superiores sejam atentos, cheios de preocupação e vigilância para com os seus irmãos: um dia, deverão dar contas.
O exercício da autoridade não deve ser aferrado ou desesperado; sejamos superiores com alegria interior e com feliz disponibilidade. A responsabilidade, e a disponibilidade para ouvir, dos superiores, corresponde à obediência e à preocupação compartilhada dos irmãos. Somos todos ouvintes e obedientes, com respeito ao que o Espírito nos quer dizer. Que o Espírito Divino encha os que ele elege para dirigir e os que procuram a unidade na obediência e na caridade.
Daí nascerá, para todos, paz e comunhão. Confiamos essa comunidade ao bom Pastor, a quem Deus ressuscitou da morte pelo sangue da eterna aliança. O nosso Senhor Jesus realize em vocês o que lhe agrada e os torne aptos a todo bem.
O evangelho de hoje é um texto maravilhoso sobre a preocupação pastoral de Jesus; mostra como Ele se preocupa, com carinho, por seus discípulos, como os leva ao repouso e descanso, como quer encontrá-los no nivel deles e lhes mostra interesse, como os deixa relatar, e lhes presta atenção. Uma
comunidade tão jovem como esta de Itinga e Natal, com seus numerosos desafios e atividades, com seus empenhos demorosos e suas obrigações, necessita de momentos de tranquilidade e reflexão, ela precisa de tempos e lugares de intercâmbio e de conversação comunitária. O superior terá a preocupação de reunir os irmãos depois de suas atividades, oferecendo-lhes a oportunidade de relatar e informar, acompanhando-os e instruindo-os, proporcionando tempo para servir-se de algo junto, ou para recrear-se.
Jesus vê muita gente, com muitas necessidades. Ele se compadece deles e os ensina longamente. De certo, as necessidades dos homens são imensas, as preocupações materiais e os problemas sufocam. Porém, o homem não vive só de pão, mas também da palavra, do pão da palavra e do evangelho. Foram-nos encarregados os dois aspectos, o cuidado material e o espiritual: “Dêem vocês mesmos comida a eles” e “Vão e proclamem a Boa Nova”.
É esse espírito de Jesus que deve animar-nos, ao implorarmos hoje o Espírito Divino sobre esta comunidade e sobre o superior que vai ser eleito. Os apóstolos experimentaram que o Ressuscitado entrou através das portas fechadas, vencendo tudo o que separa e tapa, e que Ele soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo” (Jo 20,22). O Espírito Divino é o presente do Ressuscitado que está vinculado com o poder ilimitado para perdoar os pecados e com a missão de procurar a paz e a reconciliação com Deus e com os irmãos. Assim, vamos invocar com insistência o Espírito de Deus.
Vem, Espírito Santo, inflama os corações de seus fiéis. Enche esta comunidade com força e alegria, com dinamismo, generosidade e amor fraterno. Dá união e paz entre os irmãos, dá a disponibilidade para perdoar, e para aceitar a correção fraterna. Faz que a comunidade se torne um centro de comunhão e de evangelização.
É isso que lemos nas Constituições (n° 68):”Santo Agostinho ensina-nos que a comunhão de nossas comunidades deve extrapolar-se pela caridade que se estende a todos os homens”.
“Que o Deus de paz os torne aptos a todo bem, para fazer a sua vontade”.(Hebr. 13,20)

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