Aliança Norbertina

Abade Geral Dom Tomás Handgrätinger 02/04/09

Homilia de Dom Thomas em Itinga aos 7 de fevereiro de 2009

Querido abade Miguel de Geras, querido abade emérito Paulo, delegado do abade geral para América Latina, querido Prior Milo, querido Prior Toninho, queridos irmãos,

Este fim de semana vai marcar a história desta comunidade. Neste fim de semana, a comunidade jovem de Itinga é elevada à dignidade de canonia (canonia sui iuris Itingensis). Hoje começamos essa elevação com esta missa votiva do Espírito Santo e com a eleição seguinte do primeiro prior de regimine, ou seja do primeiro prelado que vai dirigir esta comunidade. É a coroação jurídica do que se desenvolveu durante os últimos dez anos, pela colaboração imponente dos dois padres fundadores, o Pe. Miguel e o Pe. Milo, e pelos confrades brasileiros. Aqui nasceu uma nova célula da Ordem. Todos os premonstratenses estão alegres e felizes, orgulhosos e contentes, - às vezes também um pouco invejosos, - pelo desabrochamento ultra-rápido, pelo dinamismo persuasivo dessa comunidade com suas muitas vocações e talentos, por seu entusiasmo e sua mobilização, por sua entrega e a alegria de viver brasileira. Pela ocasião deste passo, quero, como abade geral, parabenizar cordialmente à comunidade de Itinga. Faço isso em nome do Definitório da Ordem que aprovou a elevação do Priorado dependente da abadia de Geras à canonia autônoma. Depois de intensa ponderação, e a pedido dos irmãos de Itinga, a abadia de Geras autorizou e aprovou este passo. Assim abre-se hoje uma nova página. Sejam bem-vindos no círculo das 42 canonias da Ordem, bem-vindos como ramo novo e jovem da árvore de são Norberto, bem-vindos na região eclesiástica e religiosa da prefeitura de Lauro de Freitas, bem-vindos na arquidiocese de São Salvador da Bahia e no Estado do Brasil. Trago as saudações e os desejos de bênção de toda a Ordem; felicito à comunidade pessoalmente, como abade geral, e em nome da Ordem. Amanhã, a sua eminência, o cardeal dom Geraldo Agnello presidirá a eucaristia para promulgar a canonia. Agora vamos implorar especialmente o Espírito Divino que foi derramado abundantemente sobre seus corações pelo batismo e crisma, e pela consagração à vida religiosa. No batismo, o Espírito Divino desceu sobre Jesus, e o Pai o confirmou e proclamou solenemente: “Este é o meu Filho querido”. Hoje, por assim dizer, nós levamos a nova canonia ao batismo: que o Espírito desca também e faça arder os corações. Que o Senhor acolha essa fundação e a confirme, ao entrar ela na independência jurídica.

Na leitura do último capítulo da carta aos Hebreus, se recomendam três pontos principais que devem caracterizar a vida consagrada. Em primeiro lugar vem uma exortação à oração. Sempre ofereceremos em Jesus o sacrifício de louvor a Deus. Uma comunidade religiosa é, em primeiro lugar, uma comunidade de oração, reunida com regularidade para a oração e o louvor de Deus, o doador de todo bem. Honramos a Ele com os lábios, e mais ainda, com o coração; exaltamos a Ele no meio de seu povo, junto com os fiéis e para o bem dos cristãos de nossas comunidades. Dessa oração e louvor procederá todo o bem que queremos realizar diariamente para os homens que nos foram confiados. A oração e a preocupação pastoral, a contemplatio e a actio caracterizarão a nossa vida comunitária. Uma palavra da carta aos Hebreus é muito adequada para esse dia, em que elegemos um superior para esta canonia: “Obedeçam aos seus líderes e sejam-lhes submissos”. Esse é um primeiro aspecto. Outro aspecto é o seguinte: os superiores sejam atentos, cheios de preocupação e vigilância para com os seus irmãos: um dia, deverão dar contas. O exercício da autoridade não deve ser aferrado ou desesperado; sejamos superiores com alegria interior e com feliz disponibilidade. A responsabilidade, e a disponibilidade para ouvir, dos superiores, corresponde à obediência e à preocupação compartilhada dos irmãos. Somos todos ouvintes e obedientes, com respeito ao que o Espírito nos quer dizer. Que o Espírito Divino encha os que ele elege para dirigir e os que procuram a unidade na obediência e na caridade. Daí nascerá, para todos, paz e comunhão. Confiamos essa comunidade ao bom Pastor, a quem Deus ressuscitou da morte pelo sangue da eterna aliança. O nosso Senhor Jesus realize em vocês o que lhe agrada e os torne aptos a todo bem.

O evangelho de hoje é um texto maravilhoso sobre a preocupação pastoral de Jesus; mostra como Ele se preocupa, com carinho, por seus discípulos, como os leva ao repouso e descanso, como quer encontrá-los no nivel deles e lhes mostra interesse, como os deixa relatar, e lhes presta atenção. Uma comunidade tão jovem como esta de Itinga e Natal, com seus numerosos desafios e atividades, com seus empenhos demorosos e suas obrigações, necessita de momentos de tranquilidade e reflexão, ela precisa de tempos e lugares de intercâmbio e de conversação comunitária. O superior terá a preocupação de reunir os irmãos depois de suas atividades, oferecendo-lhes a oportunidade de relatar e informar, acompanhando-os e instruindo-os, proporcionando tempo para servir-se de algo junto, ou para recrear-se. Jesus vê muita gente, com muitas necessidades. Ele se compadece deles e os ensina longamente. De certo, as necessidades dos homens são imensas, as preocupações materiais e os problemas sufocam. Porém, o homem não vive só de pão, mas também da palavra, do pão da palavra e do evangelho. Foram-nos encarregados os dois aspectos, o cuidado material e o espiritual: “Dêem vocês mesmos comida a eles” e “Vão e proclamem a Boa Nova”. É esse espírito de Jesus que deve animar-nos, ao implorarmos hoje o Espírito Divino sobre esta comunidade e sobre o superior que vai ser eleito. Os apóstolos experimentaram que o Ressuscitado entrou através das portas fechadas, vencendo tudo o que separa e tapa, e que Ele soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo” (Jo 20,22). O Espírito Divino é o presente do Ressuscitado que está vinculado com o poder ilimitado para perdoar os pecados e com a missão de procurar a paz e a reconciliação com Deus e com os irmãos. Assim, vamos invocar com insistência o Espírito de Deus.

Vem, Espírito Santo, inflama os corações de seus fiéis. Enche esta comunidade com força e alegria, com dinamismo, generosidade e amor fraterno. Dá união e paz entre os irmãos, dá a disponibilidade para perdoar, e para aceitar a correção fraterna. Faz que a comunidade se torne um centro de comunhão e de evangelização. É isso que lemos nas Constituições (n° 68):”Santo Agostinho ensina-nos que a comunhão de nossas comunidades deve extrapolar-se pela caridade que se estende a todos os homens”. “Que o Deus de paz os torne aptos a todo bem, para fazer a sua vontade”.(Hebr. 13,20)

Sobre a comunidade

 
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