Aliança Norbertina

25/12/10

O NATAL DE TODOS OS DIAS

"Essas mensagens, que sintetizam o caminho proposto pelo Papa João Paulo II para o século XXI - “fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão” - é também o ideal de vida que desejo ver abraçado por mim e pelos irmãos e amigos a quem amo - dentre os quais, está sobretudo você, caro leitor, que me acompanhou ao longo deste ano, atuando decisivamente por um mundo melhor -, para que cada momento, cada circunstância e cada encontro que acontecerem em 2009, prolonguem a alegria, a paz e o amor do Natal"!

Não é segredo para ninguém: existem muitos Natais. Um dos mais badalados é o comercial. Um dos mais esquecidos é o cristão.

O comercial, quem não o conhece? Fruto do consumismo e do materialismo, nele só há lugar para quem tem dinheiro. Não deixa de ser uma lástima: o mercado conseguiu ocultar o significado da festa mais bonita do cristianismo.

Graças a Deus, há também o Natal cristão. Ele acontece em quem não se fecha em si mesmo nem desiste na busca de uma autenticidade de vida, que é sempre fruto de uma constante conversão.

Foi o que descobriu e vivenciou o bispo alemão Klaus Hemmerle, falecido há poucos anos, depois de ter transformado a espiritualidade de comunhão - o ideal de sua vida - num constante serviço aos irmãos: «Jesus não ficou esperando as horas. Não subiu ao pódio. Ele veio ao seu encontro. Veio até você. Vá ao encontro dele. Vá até aqueles para os quais não havia lugar na hospedaria. Vá ao encontro dele. Até o nosso meio. Entre mim e você. Vá o encontro dele. Vá até você».

Para Klaus Hemmerle - e para todos os cristãos - o Natal acontece quando, ao invés de aguardar que os outros façam a sua parte ou que as coisas aconteçam por si mesmas, dá-se o primeiro passo com alegria e prontidão, sem esperar por recompensas ou reconhecimentos; quando não se fica a vida inteira tentando esmagar os irmãos para “subir ao pódio”; quando se vai ao encontro de quantos “não têm lugar na hospedaria”. É o que também nos lembra a liturgia do advento: «Agora e em todos os tempos, Jesus vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade».

Mas não é preciso ir muito longe para encontrar os pobres: cada pessoa que passa ao lado carece de amor e cada ambiente que se freqüenta, não poucas vezes, se parece a uma geleira tenebrosa. Era por isso que São João da Cruz não cansava de repetir: «Onde não há amor, coloque amor, e encontrará amor». E se esse amor for mútuo, então Jesus resplandecerá «em nosso meio, entre mim e você».

Assim pensando e agindo, o bispo Hemmerle seguia a doutrina espiritual de sua mestra, Chiara Lubich, falecida no dia 14 de março deste ano. Para ela, o Natal pode e deve acontecer todos os dias: «É Natal: o Verbo se fez homem e acendeu o amor na terra.

É Natal: gostaríamos que esse dia jamais findasse. Senhor, ensina-nos a perpetuar tua presença espiritual entre os homens.

É Natal: que o teu amor aceso na terra arda em nossos corações e nos amemos como tu queres. Então, estarás entre nós. E, se nos amarmos, todo dia poderá ser Natal».

Em outra mensagem de Natal, Chiara aprofundava assim o seu pensamento: «“Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). No meio deles, exatamente como há dois mil anos, no meio de Maria e José.

Somente que, agora, a sua presença, embora real, é espiritual.

A Jesus não agrada ficar apenas nos sacrários. Seu desejo é estar entre os homens e com eles partilhar os pensamentos, os projetos, as preocupações, as alegrias…

Também para isto é que veio à terra, para nos dar a chance de tê-lo entre nós sempre, mantendo o calor, a esperança, a luz, a concórdia que todo Natal traz consigo».

Apesar de nunca se ter convertido ao cristianismo - pelo péssimo exemplo de vida dado por alguns colonizadores ingleses -, Mahatma Gandhi concorda plenamente com Klaus Hemmerle e Chiara Lubich ao afirmar: «Jesus terá nascido, vivido e morrido em vão se não tivermos aprendido com a ele a reger nossas vidas pela lei eterna do amor».

Essas mensagens, que sintetizam o caminho proposto pelo Papa João Paulo II para o século XXI - “fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão” - é também o ideal de vida que desejo ver abraçado por mim e pelos irmãos e amigos a quem amo - dentre os quais, está sobretudo você, caro leitor, que me acompanhou ao longo deste ano, atuando decisivamente por um mundo melhor -, para que cada momento, cada circunstância e cada encontro que acontecerem em 2009, prolonguem a alegria, a paz e o amor do Natal!

Dom Redovino Rizzardo

 
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