O ir. Alessandro de Montes Claros estuda inglês e francês. Como exercício ele fez a tradução de um artigo da revista "Courrier de Mondaye" que publicamos aqui.
Um pouco mais de um ano depois de meu engajamento definitivo na comunidade, eu me encontrava de novo na igreja da Abadia no último dia 16 de outubro, rodeado por meus irmãos, pela minha família e pelos amigos, para ser ordenado.
É o bispo de nossa diocese, Monsenhor Pican, que presidia a celebração, sinal da dimensão fundamentalmente eclesial do ministério diaconal.
No coração da missa dominical em presença de muitos paroquianos, de jovens, de familiares, de amigos mais ou menos cristãos, sou chamado à cumprir uma missão de servir à Igreja e de colaborar no anúncio do Evangelho no mundo. Aliás, recebendo da mão de dois irmãos de comunidade, minha nova “roupa de serviço”, a estola e a dalmática, eu tive o sentimento que a comunidade me enviava em missão: “sois diácono para a Igreja e para o mundo!”
Diácono e premonstratense: curiosa alquimia! Porque chamado, ao seu seio da Igreja, de “ministros ordenados”, diáconos e padres, nossa comunidade de Mondaye, afirmando de novo, de maneira mais simples e clara, sua vocação pastoral ao serviço da Igreja, sua opção na “vida mista”, que, mistura presença de Deus e presença no mundo. Tenho em todo caso, realmente o sentimento de não ser enviado só, mas de estar “a serviço” com toda minha comunidade, com meus irmãos.
Uma novidade importante na minha vida: minha mudança de endereço. No dia seguinte à ordenação, o prior Joel pediu-me para estar com os irmãos do priorado de Saint-Pierre de Caen. Depois de cinco anos passados em Juaye-Monaye, é para mim com uma revelação! Deixar o campo, um barco imenso que é a abadia, os corredores intermináveis e as grandes salas abobadas, para encontrar-me no coração da cidade, numa casa comum e simples. Deixar uma forma de vida muito litúrgica, na qual tudo é estilizado, regular, para encontrar costumes comuns, uma vida cotidiana, uma vida sem goma e muito aberta à cidade. Eu tenho que reconhecer, no começo tudo isso é desestabilizador. Mas do outro lado das formas, é bem a vida religiosa norbertina e o “espírito de Mondaye” que eu redescubro aqui.
A vida fraterna, de início, tanto Caen quanto Mondaye, é primordial. Sem dúvida, mesmo se somos quatro, Ir. Gides, Ir. Bruno, Ir. Philippe e eu, acreditamos guardar no coração o ideal agostiniano da vida comunitária. Em Caen, as diversidades, as idades e as características são bem visíveis; jovens e anciãos se completam; e mais, a nossa comunidade se beneficia da presença de Roland, um padre diocesano que compartilha nossa mesa e nossa oração. É preciso reconhecer que tudo isso se vive, num clima, verdadeiramente, familiar, impregnado de respeito, de atenção recíproca e de bom humor, com, no fundo, o desejo de dar testemunho Daquele que nos reúne no seu Amor.
A vida de oração constitui evidentemente o centro de nossa vida de jornada. Na pequena capela, nós nos encontramos a cada dia para as laudes, as vésperas, a missa e as completas. Visto nosso pequeno número e as vozes mais ou menos afinadas, os ofícios são simples, despojados. Aliás, nós estamos lá, com constância, tornando o encontro possível, encontro marcado com Deus. Os leigos que vem rezar conosco contam muito. Juntos, humildemente, escondidos a dois passos das massas da cidade, nós fazemos subir para Deus uma oração que nós acreditamos essencialmente.
Como todo homem, o religioso deve viver de seu trabalho. Este aspecto aqui também é importante. Cada irmão toma a sua parte das atividades. Ir. Gides, Ir. Bruno, e Roland, que, portanto, apesar de passada a idade de aposentar, continuam trabalhando no serviço da Igreja. Como verdadeiros pastores, eles não contam as horas passadas a escutar, a acompanhar, a celebrar… Ir. Philippe, da sua parte, exerce a profissão de ensinar. Engajado, como alguns outros de nossos irmãos, no “mundo do trabalho”, assegura um vínculo concreto com homens e mulheres que o rodeiam com suas preocupações, os modos de vida da maioria de nós contemporâneos, uma verdadeira riqueza para nossa comunidade! Quanto a mim, continuo os meus estudos de teologia em Paris, e começo a aprender esta bonita profissão de pastorear (voltarei nisso na terceira parte).
Um outro aspecto da nossa vida do priorado que desejo sublinhar é a missão do “centro Saint-Pierre”. Há alguns anos, o bispo confiou aos premonstratenses a igreja Saint-Pierre, um belo edifício, a dois metros das ruas dos comerciantes, para fazermos dela um lugar de acolhida, de escuta, de oração, presença viva da Igreja. De fato, digo que descobri a riqueza que se vive aqui, a vitalidade e o apego dos fiéis que escolheram praticar o catolicismo aqui, especialmente no domingo. Leigos engajados e formados, famílias, jovens e crianças, estudantes, estrangeiros… Dentro da paisagem da Igreja às vezes triste, como não estar surpreso por tanta diversidade e vida?! Como não me sentir interpelado?! E também como responder esses apelos, levando em conta as fraquezas de nossos meios?!
Outra novidade de minha vida, e não das menores: os meus primeiros passos “no ofício” de diácono. Esse ministério implica, em outras escolhas, proclamar a palavra de Deus, servir a mesa eucarística e eventualmente pregar, batizar, assistir os casamentos, presidir os funerais… Todos as atividades essenciais, na vida cristã não se improvisam! Porque tratamos tudo isso com serenidade, daí a importância de se formar seriamente. E essa formação se faz, normalmente, dentro do que se chama “estágio diaconal”.
Da minha parte, dentro da paróquia Trindade (no centro da cidade de Caen), eu fui enviado. E com o pároco deste lugar, Padre Pitel, eu descubro de que maneira nossa Igreja se encontra neste contexto difícil, como ela procura desenvolver-se, e como ser criativa no anúncio do Evangelho.
Então, muitas coisas novas a viver: primeiros reencontros com os pais que apresentam uma criança para ser batizada; acolhida dos adultos vindo para pedir o batismo ou a crisma, e que compartilham suas descobertas, sua fé; primeiras pregações que se dão com a voz trêmula; projetos novos nos quais me lanço com (felizmente!) até de forma inconsciente (criação de grupo de coroinhas que servem ao altar de Saint-Pierre, iniciação do grupo de jovens ao redor da vida e da obra de Santo Agostinho), em suma, mil atividades, que me preenchem, hoje, para dar graças por tantas novidades e tanta felicidade!
Hermann-Joseph Delplanque
Alessandro R. Heleno (tradutor).
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