Esta é uma grande contribuição que podemos dar como religiosos.
Não importa tanto que fazemos, mas o que somos na realidade hoje. O nosso papel, como religiosos, é de ser alguém que caminha, que passa por uma travessia, até mesmo com aqueles que chegarão naquele ou naquilo que foram os nossos sonhos. O religioso é aquela pessoa marcada pela cruz, chamada a viver a mesma experiência de Jesus. O mérito não está só no fazer e sim no ser. A partir daí, não podemos dizer, que sozinhos não podemos fazer nada, pois, se cativamos uma pessoa, em resposta ela cativará outra. Sozinhos, somos pobres, assim sendo, caracterizamos a vida religiosa como sendo uma ajuda mútua (juntos damos continuidade ao trabalho). A nossa espiritualidade deve ser única e cristã. A qual só vale a pena, quando resolvemos dar a vida.
Devemos manter firmes “os olhos fixos em Jesus” (Hb 12,1-3) e estar com aqueles (as) que nos ajudem a mantê-los fixos. Assim sendo, converteremos nossos corações para ser verdadeiros cristãos, que façam a diferença. Lembrando que o mais importante não é “ver e sim serem vistos por Jesus”, assim nos recorda a passagem bíblica de Zaqueu que sobe na árvore para ver Jesus, mas que é visto por Ele. Alguns religiosos muitas vezes “sobem na árvore”, só que se esquecem de descer, para conversar, para estar com as crianças, com os jovens, adultos, idosos, esquecendo que a vida religiosa deve ser missionária, profética, junto com o povo. O amor que não se sacrifica, não pode ser autêntico. Vê-se a necessidade de deixar o amor de Deus penetrar nos nossos poros, pois o amor pede mais amor. Precisamos resgatar a dimensão da criatividade. Trazer de dentro, fazer a diferença. E como Igreja, atingirmos os verdadeiros pobres e não somente aqueles pobres elitizados (que já tem conhecimento). Deve-se tomar consciência da autoridade muito grande em nível político (não partidário) que a Igreja tem, em prol, das necessidades urgentes que a sociedade vive.
Se nos iludirmos que ser religioso (ser Premonstratense) já seja tudo, então não somos nada. A Vida Religiosa ou Vocação Consagrada e o seguimento de Jesus, exigem que cresçamos. É lugar para quem quer crescer.
Sendo assim, examinemo-nos sempre para não cairmos no perigo de propor um Jesus sem a cruz, pois que, se falarmos da vida de Jesus sem a cruz, não teremos entendido o ápice do seu amor; e estaremos buscando e vivendo uma Vida Religiosa (uma comunidade) “light”.
Será como nós que sonhamos, acreditamos, vamos mudar diante da nossa realidade? Vejamos a importância da proximidade, do olhar para a realidade de forma diferente, assim como foram concretamente inseridos na realidade os fundadores das ordens e congregações, mulheres e homens que se deixaram afetar pelo amor de Deus. “Não se pode amar nem evangelizar a quem não se conhece”.
Há grandes desafios, principalmente hoje, pois que vivemos num mundo todo conectado, por causa da internet, apesar de ter esse mundo contemporâneo seus pontos significativos. Mas não podemos perder a prioridade de estar no meio dos pobres. Nossos fundadores tiveram suas dificuldades, das quais somos frutos, de uma grande angústia positiva, confirmando o ditado “que Deus permite o sofrimento para que possamos tirar sustento para a caminhada”. Nascemos do coração dessas pessoas que foram mais teimosas do que a realidade deles pedia. Eis uma das nossas grandes referências: nossos fundadores. Sentiram o apelo e fizeram suas escolhas, escolhas estas, que se tornaram referências para outros também as fazerem. Também se quisermos ser referência na escolha dos outros (crianças, jovens, adultos, idosos, etc), sem dúvida é ideal que tenhamos também referência na Vida Religiosa ou Vocação Consagrada, sobretudo dos mais vividos. Mas que isso não se torne desculpa para justificar quando a comunidade estiver má. Pois, um critério para perceber que as coisas vão mal na comunidade, é quando as pessoas de dentro falam mal delas mesmas, quando vemos que não se tem nada do que o fundador deixou (ex.: testemunho). Pode-se ainda usar o pretexto de considerar que a comunidade abrindo casas, cuidando de escolas, hospitais, etc, esteja bem, mas que se esqueça de voltar para si mesma. “Só podemos alcançar o “algo mais” se estivermos em Deus”.
É hora de acordarmos! Precisamos desenvolver habilidades para lidar com esta geração que acredita que pode ter tudo. Ser mais sinais de esperança no mundo. Cientes de que o nosso compromisso como religiosos e consagrados é fazer aquilo que os apelos de Deus nos pede hoje, pois as congregações (Ordens) são apenas históricas, e por isso podem acabar. Recordava-nos o Pe. Murta: “uma causa só morre, quando não tem quem morra por ela”.
Deus não quer de nós o êxito e sim a fidelidade, nos quer com os olhos brilhando, para assim darmos testemunhos de ser gente feliz. Nós somos a nossa escolha.
Jamais nos esqueçamos: “com os olhos fixos em Cristo!”