Aliança Norbertina

Pe. Rafael Otoniel Onofre dos Santos 17/11/09

Chamados a sermos humanos e religiosos

Caros irmãos, aproveito este tempo em que estou aqui na Áustria - Viena, para apresentar os frutos de mais uma experiência de conhecimento pessoal dentro da nossa Ordem pois, tenho claro que ao longo do tempo da minha formação religiosa aconteceu também a formação humana, falo assim, porque há alguns anos fiz questão de conhecer algumas casas de nossa circaria, onde pude apreender um pouco mais da vivência comunitária em cada uma delas.

Hoje, relembro estas minhas andanças e fico pensando como deve ser a experiência de um jovem candidato em nossa casa, com uma vida cheia de confrontos pessoais e ao mesmo tempo, tendo que enfrentar os desafios amplos da convivência comunitária. Por esse motivo, decidi partilhar um pouco do que penso, diante dessa realidade puramente vocacional e humana! Ao ver alguns relatos e experiências diversas de como cada um chegou a nossa comunidade particularmente, por ter acompanhado o postulantado e agora acompanhar os noviços, dedico-me aqui a refletir um pouco sobre a minha experiência de família e "vida de Igreja". O tempo passa rápido demais. Lembro-me que, em 18 de Fevereiro de 1999, estive visitando a casa de Itinga e me encantei com uma acolhida de dois sacerdotes estrangeiros e com o desejo jovial da vida ativa e contemplativa e; isso me encheu os olhos e o coração. Descobri que o carisma premonstratense é um forte convite para aqueles que desejam buscar uma vida fraterna cheia de alegria pastoral. Quando percebi, já estava sendo chamado para assumir o sacerdócio, ou seja, ele já batia a minha porta. Passei algum tempo refletindo e, só depois de ter relembrado esses momentos que vinham na lembrança, tive a certeza e o prazer de assumir essa nova missão: a vida sacerdotal! Abro aqui grandes parênteses : o desejo só é completo quando a base é conjunta, humana e religiosa, pois aqui está o ponto que quero partilhar com vocês: sinto-me chamado a cada dia, após dez anos de vida religiosa e, de vivência comunitária, lhes asseguro que é excelente tornar-se pequeno em todas as coisas e amar aos irmãos, sem colocar a frente o "título" ou a figura da sua importância estrutural, mas olhar lá dentro da alma de cada um e ver qual é o desejo último de estar na Ordem, assumindo plenamente o chamado e experienciando o carisma.

Meus irmãos, continuo estas poucas linhas dizendo que o valor da vida premonstratense está no serviço ao próximo sem preconceito de posição ou cargo. Nisso, a experiência familiar conta muito, o modo como cada um se relaciona na convivência com os pais e os irmãos.

A minha experiência familiar não tem acontecimentos especiais pois, não tenho muito a contar com os meus pais, fui privado muito cedo da presença deles, tendo que crescer sem a figura paterna e materna. Certamente, o Senhor Deus os chamou para uma missão muito maior, mas o fato é que a base de uma boa convivência fraterna vem da relação familiar que tem o candidato. A experiência que tive de minha mãe com a religião me ajudou muito, porque era uma mulher muito católica e certamente, meu pai também, pois primava pelos valores humanos e respeito do caráter do homem. Hoje, a história não mudou muito pois, os valores são os mesmos; o que mudou foi justamente no que nos espelhamos, no entanto, os primeiros exemplos vem da família e, cabe a nós cultivá-los e aplicá-los na vida religiosa e sacerdotal.

O chamado de cada um é individual, porém, a troca de experiência é comunitária. É bom constatar isso em nossas comunidades. Devemos aproveitar e nos engajarmos o mais depressa. A vida premonstratense está mais jovem e requer de cada um, a busca do essencial que foi justamente, o tema do nosso último encontro dos jovens norbertinos na América Latina. Obviamente, está em nossas mãos construir uma vida mais fraterna e alegre. Assim, somos impelidos a transmitir ao outro esta descoberta.

A cada ano celebramos os tempos litúrgicos e; estes sempre nos advertem! Sobre uma perspectiva celebrativa no tempo do Advento, de modo especial, nos convida a esperar a vinda de Cristo. Mas, para sermos bem sucedidos precisamos lembrar que podemos descobrir o Cristo, que nasce em nós cada dia. Através do outro, do amor ao próximo que nos torna mais fortes e impulsionados a vida fraterna.

Quero em 2012, celebrar os meus cinco anos de padre por isso, comecei a escrever um pouco da minha vida a partir do berço familiar até os dias atuais, trazendo justamente essa perspectiva : um olhar atento de como devemos encarar os desafios e ultrapassá-los. Neste ano quero editar esta experiência que chamarei de: "Minha Memória". Com essa partilha de vida, quero transmitir a todos vocês um grande incentivo pela comunhão fraterna e diversos acontecimentos neste mundo tão particular e especial da vida Premonstratense !

Um abraço fraterno

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