
14. Submetam sua carne com jejuns e abstinências no comer e no beber, conforme a saúde o permitir. No entanto, quando alguém não puder jejuar, nem por isso tome alimentos fora de hora da refeição, a não ser que se encontre enfermo.
15. Desde que se sentarem à mesa até se levantarem escutem sem ruído nem discussões aquilo que segundo o costume, lhes for lido; para que não apenas a boca receba o alimento, mas também o ouvido sinta fome da palavra de Deus .
16. Se os fracos, em razão de seu modo anterior de viver, são tratados de maneira diferente quanto à comida, isso não deve incomodar os outros, nem parecer injusto àqueles aos quais outros costumes fizeram-nos mais fortes. E estes não considerem aqueles mais felizes, porque recebem o que não lhes é concedido, mas, antes, devem se alegrar, porque podem suportar o que os mais fracos não podem.
17. E se àqueles que vieram à casa religiosa de uma vida mais privilegiada for-lhes concedido algum alimento, roupa, agasalho ou cobertor, que não é dado aos outros mais fortes e portanto mais felizes, estes que não o recebem, devem pensar o quanto desceram aqueles de sua vida anterior na sociedade até esta vida, ainda que não tenham conseguido chegar à frugalidade dos que têm uma constituição mais vigorosa. Nem devem querer tudo o que vêem receber a mais alguns poucos, não como honra, senão como tolerância; não aconteça a detestável perversidade de que na casa religiosa, onde na medida em que possam se tornam mortificados os ricos e se convertam em privilegiados os pobres.
18. Da mesma forma, assim como os enfermos necessitam comer menos para que não se agravem, assim também depois da enfermidade devem ser cuidados de tal forma que se restabeleçam logo, mesmo quando tenham vindo da sociedade de uma humilde pobreza; como se a enfermidade recente lhes concedesse o mesmo que aos ricos em seu antigo modo de viver. Porém, uma vez reparadas as forças, voltem à sua feliz norma de vida, tanto mais adequada aos servos de Deus quanto menos necessitarem. E que o prazer não os retenha, estando já sadios ali onde os colocou a necessidade, quando se encontram enfermos. Assim, pois, considerem-se mais afortunados aqueles que são mais fortes em suportar a frugalidade; porque é melhor necessitar menos que ter muito.