Aliança Norbertina

Côn. Alcides Ribeiro Filho O.Praem. 10/10/11

AS NOVAS GERAÇÕES E A VIDA RELIGIOSA

O Cfr. Alcides e o ex-cfr. Genilson, da abadia de Jaú, estudaram no Instituto Teológico Pio XI em São Paulo. Eles fizeram essa pesquisa sociológica juntos com outros estudantes.

PROBLEMÁTICA

A diminuição das vocações à Vida Religiosa nas Congregações Tradicionais , sobretudo depois do Concílio Vaticano II, e o aumento nas Novas Congregações.

METODOLOGIA

1. Após a constituição do grupo de Trabalho, reunião para decidir o tema a ser abordado e definir o projeto a ser desenvolvido.
2. Levantamento e Leitura individual da Bibliografia Básica sobe o tema escolhido.
3. Debate no grupo sobre a problemática levantada, considerando as leituras feitas.
4. Síntese das constatações, pressupostos e hipóteses levantadas a partir do debate.
5. Definição de quantas e quais congregações seriam pesquisadas.
6. Elaboração dos dados a serem pesquisados, considerando-se o período referente aos últimos dez anos.
7. Apresentação dos dados pesquisados completos.
8. Compilação dos dados pesquisados e elaboração da tabela comparativa, considerando-se o índice de perseverança, os critérios de admissão, o trabalho de despertar vocacional, o tipo de missão e carisma de cada congregação.
9. Conclusão com a análise sociológica propriamente dita, confrontando o que se constatou através da bibliografia básica, os pressupostos encontrados, as hipóteses levantadas para a problemática com os dados reais coletados e as possíveis reflexões originadas a partir de então.
10. Digitação e formatação do trabalho.

CONSTATAÇÃO

1. Houve um decréscimo no número de religiosos e religiosas nas Congregações Católicas mais tradicionais, no período pós-conciliar;
2. Há um crescente número de vocações nas Novas Congregações fundadas recentemente;
3. Vivemos um período de profundas mutações culturais, denominada por muitos como modernidade e por outros já como pós-modernidade, que influenciam não só a sociedade como tal, mas a vivência das diversas formas de religiosidade.

PRESSUPOSTOS

▪ A secularização progressiva e a perda do sentimento religioso;
▪ A atual desestruturação familiar, e conseqüente perda de valores cristãos;
▪ A abertura para o trabalho leigo sem necessidade de haver uma consagração religiosa (promovia pelo próprio Concílio Vaticano II);
▪ A atual sociedade de consumo visa simplesmente o bem estar pessoal. A religião acaba sendo objeto de consumo, desde que proporcione satisfação subjetiva, sobretudo emocional, para quem a procura.

HIPÓTESES

1. As Congregações mais tradicionais vivem a profunda tensão entre o conservadorismo e o medo da inovação. Por já existirem há tempos, passam ou já passaram por grandes e profundas crises internas e externas.
2. A aparência externa, como uso do hábito, uniformes, vestes clericais, chama a atenção da juventude, que muitas vêm aí uma forma de diferenciação na sociedade.
3. As vocações à vida religiosa têm surgido mais dos movimentos eclesiais do que do núcleo familiar. As Congregações tradicionais têm certa dificuldade de lidar com estes movimentos e os vocacionados acabam optando por congregações de fundação mais recente, com espiritualidade mais próxima dos movimentos de onde se originam.

OBJETIVOS

Constatar com maior precisão os motivos que têm ocasionado a diminuição das vocações nas Congregações Religiosas tradicionais, enquanto há um crescente nas Novas Congregações, para uma reflexão mais acurada sobre o assunto, que possa vislumbrar caminhos para possíveis soluções.

CONGREGAÇÕES e INSTITUTOS PESQUISADOS

1. Ordem dos Cônegos Premonstratenses, fundada em 1126;
2. Congregação das Irmãs de São José de Cluny, fundada em 1806;
3. Sociedade de São Francisco de Sales - Salesianos, fundada em 1859;
4. Irmãs de Jesus Bom Pastor - Pastorinhas, fundada em 1937.
5. Toca de Assis - fundada em 1994 (ainda sem reconhecimento pontifício)
6. Associação doS Arautos do Evangelho - associação de leigos fundada em 1999, já com reconhecimento pontifício.

OBSERVAÇÕES:

Apesar dos Arautos do Evangelho não serem uma Congregação Religiosa, mas sim uma Associação de Leigos, com Aprovação Pontifícia, decidimos incluí-los na pesquisa, tendo em vista que também formam comunidades femininas e masculinas, tem um processo formativo e atrai muitos jovens.

PESQUISAS:

1. ORDEM PREMONSTRATENSE

FUNDADOR: SÃO NORBERTO
ORIGEM: No Vale de Prémontré (França)
DATA DE FUNDAÇÃO: 1121
CHEGADA AO BRASIL: 1896
CARISMA: Adoração Eucarística, Liturgia, Vida Comunitária, Devoção Mariana, serviço ao Povo de Deus. Vida Contemplativa e Ativa. O carisma premonstratense, dom de Deus à sua Igreja consiste na vida canonical, isto é, numa forma de viver em que tudo gira em torno da vida em comunidade, pois, liderados por nosso abade, formamos uma Igreja em comunhão com a Igreja de Roma, zelando por uma intensa Liturgia, com a missa conventual diária e a Liturgia das Horas, rezada solenemente em comum. Também em continuidade com a nossa vida comunitária assumimos vários trabalhos junto ao povo de Deus nos lugares onde estamos. Assim, alguns premonstratenses são párocos, outros vigários, alguns são confessores e diretores espirituais, outros professores, etc. Todos, entretanto, vivemos no mesmo convento em comunidade, numa vida de oração, meditação e partilha, sempre prontos para toda boa obra II Tim 2,21

ESPIRITUALIDADE:
Nossa espiritualidade como de todo cristão consiste em buscar sempre a união com Deus pela vida no Espírito de Jesus. No intimo de nosso coração e na vida litúrgica. Na vida litúrgica da comunidade procuramos a paz da intimidade com o Pai. Somente assim podemos obter a realização profunda de nosso ser, “que está sempre inquieto enquanto não encontra a Deus”, como diz Santo Agostinho. Como Premonstratenses, recebemos de nosso fundador, São Norberto, duas heranças especiais: a adoração eucarística e um amor especial por Maria.

CONTEXTO DE FUNDAÇÃO:
A vida de São Norberto foi toda marcada por duas atitudes muito claras e desafiadoras: a sensibilidade aos apelos do Senhor e do povo de Deus e a incansável disponibilidade para responder a esses apelos. Á luz dessas características de Norberto devemos situá-lo no delicado contexto da Igreja Medieval que vive a Reforma Gregoriana e que busca a restauração da dignidade e da disponibilidade incondicional do clero, numa vivência autêntica dos princípios cristãos.

HOJE:
Somos Cônegos religiosos com um espírito específico: uma vida de comunhão de caráter contemplativo que se prolonga no trabalho apostólico. Atualmente trabalhamos com paróquias e na formação de novos sacerdotes, sendo ela essencialmente clerical.

FORMAÇÃO:
Para que a vida religiosa em nossa Ordem responda realmente tanto às exigências evangélicas, como às aspirações da natureza humana e à índole particular da vocação de cada um, os candidatos sejam formados gradualmente, mas firmemente em nosso modo de vida.

ETAPAS E CRITÉRIOS DE ADMISSÃO:
Os que se julgam chamados para o serviço de Deus e dos irmãos, conforme o propósito de vida da Ordem Premonstratense, sejam admitidos como candidatos a não ser que haja impedimento canônico ou dúvida positiva de autenticidade da vocação. Aceitem-se somente aqueles que possuem qualidade, ao menos potenciais, com as quais possam concorrer positivamente para a vida e o trabalho de nossas comunidades.
A. PASTORAL VOCACIONAL: O jovem é acompanhado no seu discernimento vocacional através de encontros periódicos e com vivência em nossas comunidades. As condições para o ingresso é que o jovem tenha concluído o Ensino Médio e que tenha uma saúde estável.
B. POSTULANTADO: O postulantado tem duração de 1 ano. O jovem nesse período terá aulas de formação espiritual, Litúrgica, Sagrada Escritura, História da Ordem e trabalho manual.
C. NOVICIADO: Tempo de aprofundamento na espiritualidade da Ordem. O Noviciado tem um período de 2 anos: no 1o. ano, que é o Ano Canônico, o jovem aprofunda nos conhecimentos das Constituições da Ordem, há a formação espiritual mais intensiva, um período de reclusão no qual o candidato pode ser avaliado segundo as suas potencialidades vocacionais especificamente da Ordem. Ao término do 1o. ano o candidato inicia o 2o. ano de noviciado onde inicia os estudos acadêmicos de Filosofia e Teologia. Neste ano têm-se também o inicio das pastorais que serão realizadas nas paróquias pertencentes à Ordem.
D. PROFISSÃO SIMPLES: No final dos 2 anos de noviciado, o candidato ao sacerdócio religioso professa os seus primeiros votos, os quais serão vividos durante três anos, quando fará sua profissão perpétua.
E. DIACONATO: O Diaconato é recebido durante o 3o. ano de Teologia, após a Profissão Perpétua. O seu trabalho será realizado nas paróquias pertencentes a Ordem. Período do diaconato, 1 ano.
F. ORDENAÇÃO SACERDOTAL: Após percorrer o ministério diaconal, o candidato ao sacerdócio é ordenado e destinado á uma paróquia da Ordem, ou outro trabalho que exija a sua presença.

ESTATÍSTICAS:

tabela referente ao índice de perseverança

PERÍODO: de 1995 a 2005
ENTRADA: 34
PERSEVERANÇA: 27
ORDENAÇÕES: 8
ÍNDICE DE PERSEVERANÇA: 38,3%

- ♦ tabela referente á atual faixa etária dos membros da Ordem

FAIXA ETÁRIA - Nº DE MEMBROS - ÍNDICE
18 a 50 anos: 10 - 38,4%
51 a 65 anos: 06 - 23%
mais de 66 anos: 10 - 38,4%

Total de membros: 26

2. CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CLUNY

FUNDADORA: ANA MARIA JAVOUHEY
ORIGEM: muito cedo se distinguiu pela sua liderança e pelo zelo em prol da Igreja, perseguida, durante a revolução Francesa. Ainda contrariada pelo pai, começou a dedicar-se à catequese e a acolher as crianças órfãs e desamparadas, vitimas da revolução.

DATA DA FUNDAÇÃO: teve sua aprovação dia 12 de Dezembro de 1806.

CHEGADA AO BRASIL: em 1960, na cidade de Lucélia, interior de São Paulo.

CARISMA : “Seguir Jesus Cristo Salvador Obediente à Vontade do Pai” e a espiritualidade “Buscar em tudo a Santa Vontade de Deus”.

CONTEXTO DE FUNDAÇÃO: No final do séc. XVIII, a Borgonha como muitas outras regiões de França, sofre os distúrbios da Revolução Francesa. As Igrejas são encerradas, os padres proibidos de celebrar; é arriscado afirmar-se cristão. Ana Javouhey sente dolorosamente este clima de medo, insegurança e desconfiança. Os pais acolhem os padres perseguidos, nasce no coração de Ana Javouhey o desejo de servir a Deus.

ATUAÇÃO HOJE: No Brasil atualmente as irmãs estão trabalhando em quatro creches ,um lar de idosos e também nas pastorais. Percebe-se uma dificuldade para se abrir ao novo a outros campos de missão. Há um certo medo.

ETAPAS PARA ADMISSÃO: Dezoito anos completos, 2º grau completo que seja inserida em uma comunidade e que tenha tido um acompanhamento vocacional.

FORMAÇÃO: A Formação tem como objetivo “Formar religiosa integrada, feliz corajosa, simples, disposta a doar a própria vida por Cristo Jesus a serviço do seu Reino; na fidelidade criativa ao carisma da Congregação das Irmãs de São José ; aberta aos apelos da Igreja e da sociedade contemporânea e segundo o espírito de Ana Maria Javouhey”. E para isso usa os seguintes recursos: encontro formativo personalizado, estudo dirigido, pesquisa, reunião comunitária, leitura espiritual, experiência pastoral, celebrações, retiro, seminário, cursos, ajuda profissional (terapia), direção espiritual, postulinter, novinter).
· ASPIRANTADO e POSTULANTADO: a duração e a forma prévia são definidas por cada província e aprovada pela superiora geral com voto deliberativo do seu conselho. Estas ficam numa casa do instituto sob a direção de uma irmã responsável para prepará-la para o noviciado.
· O NOVICIADO é de dois anos, sendo o primeiro ano dedicado exclusivamente à sua formação e o segundo ano estágio em uma comunidade.

A PASTORAL VOCACIONAL: De 1994 a 2003, desenvolveu pequenos trabalhos, apenas ajudando nas pastorais vocacionais paroquiais, não houve nenhuma entrada na congregação a partir desse trabalho. A partir de 2004, foi que congregação resolveu investir mais na pastoral vocacional e iniciou um novo trabalho abrangendo não só os jovens que desejavam conhecer a vida religiosa, mas todos.
Esse trabalho tem os seguintes objetivos:
· Possibilitar o surgimento, acompanhamento e o encaminhamento de todas as vocações nesta Igreja particular: Vocação laical, vocação sacerdotal, religiosa, ministerial e missionária.
· Ajudar os jovens a tomarem consciência da dimensão vocacional e de toda a sua vida, assim como da exigência de levarem à plenitude o dinamismo da vocação cristã. Esses encontros são chamados de despertar e têm os seguintes temas:
1. Quem sou eu?
2. Quem somos nós?
3. Chamados a ser livres para amar
4. Liberdade vocacional
5. Experiência de Deus
6. O Espírito Santo e a vocação
7. Opção por Jesus
8. “Não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim”.
Atualmente estão sendo acompanhados cem jovens no interior de São Paulo. Nos encontros são utilizados muitas dinâmicas, vídeos e trabalhos em grupo.

ESTATÍSTICAS

tabela referente ao índice de perseverança

PERÍODO: de 1995 a 2005
ENTRADA: 7
PERSEVERANÇA: 3
ÍNDICE DE PERSEVERANÇA: 42,8 %
TOTAIS EM 2005: 1 aspirante, 1 postulante, 1 juniora,
32 irmãs de votos perpétuos

tabela referente á atual faixa etária dos membros da ordem

FAIXA ETÁRIA - Nº DE MEMBROS - ÍNDICE
18 a 50 anos : 13 - (37,4%)
51 a 65 anos : 14 - (40%)
mais de 66 anos : 08 - (22,8%)

Total de membros: 35

3. SOCIEDADE DE SÃO FRANCISCO DE SALES

SALESIANOS DE DOM BOSCO

FUNDADOR: SÃO JOÃO BOSCO
ORIGEM: Turim (Itália)
DATA DA FUNDAÇÃO: 18 de dezembro de 1859
CHEGADA AO BRASIL: 14 de julho de 1883 (Niterói - RJ)

CARISMA: Por que dedicamos nossa vida e nossas atividades a serviço dos jovens?
· Sentimo-nos chamados por Deus para caminhar nas pegadas do nosso fundador. “O Senhor indicou a Dom Bosco os jovens, especialmente os mais pobres, como primeiros e principais destinatários da sua missão”.
· Cremos que essa opção pelos jovens é de extrema importância: “Os jovens vivem uma idade em que fazem opções fundamentais de vida que preparam o futuro da sociedade”.
· Estamos convencidos de que a nossa opção pelos jovens mais pobres da sociedade é um imperativo categórico. São os que têm menos vantagens, são os mais condicionáveis, os mais vulneráveis e, freqüentemente, expostos a graves perigos que os tornam facilmente “vítimas de injustiças”.
“Com Dom Bosco reafirmamos a preferência pela ‘juventude pobre, abandonada, em perigo’, que tem maior necessidade de ser amada e evangelizada, e trabalhamos especialmente nos lugares de mais grave pobreza”.
“Imitando a solicitude de Dom Bosco, voltamo-nos para eles, a fim de capacitá-los a ocupar com dignidade seu lugar na sociedade e na Igreja e a tomar consciência de seu papel para a transformação cristã da vida social”.

ESPIRITUALIDADE:
Nossas Fontes Inspiradoras
Jesus Cristo é a nossa principal fonte de inspiração: nossa “Regra viva”, nosso “Modelo”, “Pastor” e “Guia”, nossa “Meta”. A leitura do Evangelho nos torna mais conscientes da importância da sua presença e da sua força em nossas vidas:
· A gratidão ao Pai pelo dom da vocação divina a todos os homens;
· A predileção pelos pequenos e pelos pobres;
· A solicitude no pregar, curar, salvar por causa da urgência do Reino que vem;
· A atitude do bom Pastor que conquista com a mansidão e o dom de si;
· O desejo de reunir os discípulos na unidade da comunhão fraterna.
· (Const. Art. 11)

Maria, a Mãe de Jesus, Auxiliadora dos Cristãos é a patrona principal da nossa Congregação. Mostrou a Dom Bosco o seu campo de apostolado entre os jovens e foi sua guia constante e seu apoio no trabalho, de modo especial, na fundação da Congregação. Em sua honra, São João Bosco fundou com Santa Maria Domingas Mazarello o “Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora” como testemunho vivo de gratidão. Cremos que Ela está presente em nossas vidas e nos entregamos a Ela para sermos testemunhas mais verazes do amor ilimitado do seu Filho aos jovens. São José: outro dos nossos centros de inspiração. Sua humilde aceitação do Plano do Pai na história da salvação, sua constante dedicação a Jesus e a Maria através do trabalho de carpinteiro e sua influência na formação de Jesus adolescente, são razões pelas quais o invocamos como patrono, esforçando-nos por viver a nossa vocação e a nossa missão de hoje.

CONTEXTO DE FUNDAÇÃO: Dom Bosco, após a sua Ordenação Presbiteral, passou três anos no Colégio Eclesiástico de Turim aperfeiçoando seus estudos teológicos e acompanhava Pe. Cafasso (hoje, São José Cafasso), conhecido como o “Padre da Forca”, às periferias de Turim, bem como aos presídios. Dom Bosco tem seu coração despedaçado ao ver as cadeias repletas de jovens e sente-se obrigado a fazer algo para evitar que tantos jovens caíssem na marginalização. Inspirado por Deus e imitando São Felipe Neri, Dom Bosco inicia a Obra do Oratório Festivo, onde por meio de brincadeiras e atividades lúdicas educa os adolescentes e jovens, formando-os segundo um método educativo, chamado “Sistema Preventivo de Dom Bosco” que se alicerça na Razão, na Religião e no Amor. Porém, algumas pessoas fazem Dom Bosco refletir sobre a forma de perpetuar esse trabalho infanto-juvenil. Assim Dom Bosco sente a inspiração de fundar um grupo de religiosos que estivessem a ele ligados por meio de votos, no entanto, no Piemonte de então e em toda a Itália (do século XIX) pairava um forte anticlericalismo, o que fez com que Dom Bosco desse ao seu grupo o nome, não de Congregação, mas sim o de “Sociedade de São Francisco de Sales” e ainda, os superiores seriam denominados “Diretores”; os provinciais de “Inspetores” e as províncias como “Inspetorias”.
HOJE: Nós, Salesianos de Dom Bosco
· Vivemos em comunidades ativamente empenhadas no mundo dos jovens
· Somos membros da Igreja e trabalhamos de acordo com os seus ensinamentos.
· Oração e obediência ao Espírito de Deus são o fundamento do nosso serviço.
· Esforçamo-nos por tornar o sonho de Dom Bosco uma realidade e por difundir o seu estilo e o seu carisma.
· Vivemos a nossa consagração a Deus por meio dos três votos de pobreza, de castidade e de obediência.
· A opção pelos jovens se traduz em tornar profunda a nossa credibilidade como “sinais e portadores do amor de Deus” para cada um deles.
· A nossa opção preferencial é trabalhar no meio dos jovens pobres e abandonados pela sociedade.
· Ser “sinais e portadores do amor de Deus aos jovens” é o caminho da nossa santidade - caminho que cada um de nós escolheu fazer ao lado dos jovens.
· Dom Bosco, inspirando-se na bondade e no zelo de São Francisco de Sales, nos deu o nome de Salesianos.
· Somos reconhecidos na Igreja Católica como Instituto Religioso Clerical, de Direito Pontifício, dedicado às obras de apostolado, a partir de 1º de março de 1869.
Somos reconhecidos como pessoa jurídica para efeitos civis pelo Estado Italiano como “Direzione Generale Opere Don Bosco”, a partir de 2 de setembro de 1971, com sede em Roma, Via della Pisana, n. 1111.

FRENTES DE APOSTOLADO:
1. O Oratório e o Centro Juvenil;
2. A Escola e a Formação Profissional;
3. O internato e o pensionato;
4. A presença no mundo da Universidade;
5. A Paróquia ;
6. Obras e serviços sociais para os jovens em situação de risco;
7. A comunicação social;
8. Outras novas formas de presença salesiana entre os jovens.

FORMAÇÃO: Cada um de nós é chamado por Deus a uma vocação pessoal. Além disso, não fomos chamados todos a viver da mesma maneira a vocação salesiana. Alguns são chamados a serem "Salesianos Clérigos", outros a serem "Salesianos Leigos" (ou Salesianos Coadjutores). Os Salesianos Clérigos são aqueles que se dedicam ao serviço dos jovens através de seu ministério sacerdotal ou como Diáconos Permanentes, ou como Padres (a palavra clérigo indica quem está se preparando para a ordenação como diácono ou padre). O Salesiano Leigo é aquele que se dedica, com a mesma vocação, a servir os jovens continuando no estado laical como irmão entre os irmãos. "Cada um de nós é responsável pela missão comum e dela participa com a riqueza de seus dons e das características laical e sacerdotal da única vocação salesiana. O salesiano coadjutor leva para todos os campos educativos e pastorais o valor próprio de sua laicidade, que o torna de modo específico testemunha do Reino de Deus no mundo, mais próximo dos jovens e das realidades do trabalho. O salesiano presbítero ou diácono leva ao trabalho comum de promoção e de educação para a fé a especificidade de seu ministério, que o torna sinal de Cristo pastor, principalmente com a pregação do Evangelho e a ação sacramental. A presença significativa e complementar de salesianos clérigos e leigos na comunidade constitui um elemento essencial de sua fisionomia e completeza apostólica". (Const. 45)

ESTATÍSTICAS

tabela referente ao índice de perseverança

PERÍODO: de 1995 a 2005
ENTRADA: 82
PERSEVERANÇA: 38
ÍNDICE DE PERSEVERANÇA: 46,34 %
TOTAIS EM 2005: 3 Pré-Noviços, 3 Noviços, 5 Pós-Noviços,3 Tirocinantes, 1 Diácono (4º Ano de Teologia),1 Clérigo de Votos Perpétuos (3º Ano de Teologia), 2 Clérigos de Votos Temporários (1º Ano de Teologia), 8 Irmãos Coadjutores de Votos Perpétuos, 1 Irmão Coadjutor de Votos Temporários, 74 Sacerdotes.
Total de membros: 98

tabela referente á atual faixa etária dos membros da Ordem

FAIXA ETÁRIA - Nº DE MEMBROS - ÍNDICE
18 a 50 anos : 38 - (39,7%)
51 a 65 anos : 27 - (27,5%)
mais de 66 anos : 38 - (38,7%)

4. IRMÃS DE JESUS BOM PASTOR - PASTORINHAS

FUNDADOR: BEM-AVENTURADO TIAGO ALBERIONE
ORIGEM: italiana
DATA DE FUNDAÇÃO: 07/10/1938
CHEGADA AO BRASIL: 1946

CARISMA: Eminentemente pastoral: “ombro a ombro” com os pastores da Igreja, atuando nas paróquias e dioceses, na formação de lideranças, organização pastoral, evangelização etc…

ESPIRITUALIDADE: Olhar Jesus Bom Pastor e viver como Ele, nutrindo-nos da Eucaristia e da Palavra de Deus. Temos por devoção Maria, Mãe do Bom Pastor e os Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

CONTEXTO DE FUNDAÇÃO: Ao ser ordenado sacerdote e assumir como pároco uma determinada comunidade, Pe. Alberione sentiu necessidade de ter Irmãs, bem preparadas, que desempenhassem sua missão em complementariedade com os pastores da Igreja. Na época, a maioria das Congregações existentes trabalhava com obras e não na pastoral. Num contexto de profunda marginalização da mulher, tanto na sociedade quanto na própria Igreja, Alberione tenta resgatar a diaconia feminina. Seu sonho era que cada paróquia tivesse um grupo de pastorinhas.
HOJE: Vivemos em pequenas comunidades, de três ou quatro irmãs, onde priorizamos a vida de oração e atuamos junto aos párocos, bispos (ou mesmo na ausência destes), na organização pastoral paroquial ou diocesana, na formação de catequistas, de equipes de liturgia, de jovens, famílias, nas pastorais sociais, nos grupos de estudo bíblico, enfim, na luta por uma sociedade mais justa e por uma Igreja mais madura na fé.

FORMAÇÃO: Priorizam a formação espiritual, humana e acadêmica, nas diversas etapas. A Irmã Pastorinha precisa estar bem preparada para a missão que é bastante exigente. Etapas e critérios de admissão: Cada etapa tem um plano de formação específica sendo acompanhada por uma Irmã Formadora. A jovem reside em uma comunidade formadora, destinada a sua etapa, constituída de pelo menos três irmãs professas perpétuas..
1. Pastoral Vocacional: a jovem é acompanhada no seu discernimento vocacional, sendo proporcionado a mesma momentos de convivência em nossas comunidade, para um maior conhecimento do carisma e missão. Para ingressar na Congregação pede-se que a jovem tenha no mínimo 16 e no máximo 30 anos, que tenha completado ou esteja cursando o Ensino Médio, goze de saúde razoável, tenha uma certa caminhada de Igreja e apresente motivações sinceras.
2. Aspirantado - prazo indeterminado, dependendo do grau de discernimento da jovem e do nível de estudos acadêmicos da mesma. Se não concluiu o ensino médio prioriza-se o término do mesmo, além de estudo de formação carismática e religiosa.
3. Postulantado - mínimo de seis meses e máximo de dois anos. A jovem aprofunda-se nos estudos carismáticos e passa a participar mais ativamente da missão pastoral, juntamente com as irmãs, havendo possibilidade de continuidade dos estudos acadêmicos, se necessário.
4. Noviciado - tempo forte de intimidade com o Senhor. É preciso que a jovem tenha concluído o Ensino Médio. São dois anos: no primeiro, mais interno e chamado canônico, a jovem aprofunda as Constituições da Congregação e no segundo ela faz estágio pastoral em uma de nossas comunidades, sempre com o acompanhamento das irmãs, experimentando concretamente nossa missão. Findo estes dois anos ela emite os votos temporários de pobreza, castidade e obediência.
5. Juniorato - Aproximadamente cinco anos. A Irmã renova anualmente os votos. Integra nossas comunidades, assumindo normalmente nossas vida e missão. Neste período prioriza-se o estudo acadêmico superior, preferencialmente de Teologia. Findo este período a juniorista emite os votos perpétuos, tornando-se membro efetivo da Congregação.

ESTATÍSTICAS

tabela referente ao índice de perseverança

PERÍODO: de 1995 a 2005
ENTRADA: 35
PERSEVERANÇA: 24
ÍNDICE DE PERSEVERANÇA: 68,57 %
TOTAIS EM 2005 : 5 aspirantes, 5 postulantes, 3 noviças, 3 junioristas, 58 irmãs de votos perpétuos
Total de membros: 64

tabela referente á atual faixa etária dos membros da Ordem

FAIXA ETÁRIA - Nº DE MEMBROS - ÍNDICE
18 a 50 anos : 17 - (26,56%)
51 a 65 anos : 30 - (46,88%)
mais de 66 anos : 17 - (26,56%)

OBSERVAÇÃO: Pesquisa efetuada com a Congregação das Irmãs de Jesus Bom Pastor - Pastorinhas / Província Padre Alberione - São Paulo
Rua Pepiguari, 302 - Alto da Lapa / Fone 3834-5906

5. FRATERNIDADE DE ALIANÇA TOCA DE ASSIS

FUNDADOR: P. JOSÉ ROBERTO LITTIERI
ORIGEM: brasileira
DATA DE FUNDAÇÃO: maio de 1994

CARISMA: Amar a Igreja de Deus pela perpétua adoração do Santíssimo Sacramento, buscando aliviar os sofrimentos de Jesus no auxílio ao pobre, sofredor e sofredora de rua.

ESPIRITUALIDADE: Jesus Sacramentado está no centro da espiritualidade. Há profunda devoção a Maria, a Pe. Pio e Santa Catarina de Sena

CONTEXTO DE FUNDAÇÃO: Frente a grande realidade de pessoas que vivem abandonadas nas ruas das grandes cidades, ainda seminarista, juntamente com mais três jovens, Pe. Roberto fundou a Fraternidade de Aliança Toca de Assis, espelhada na pobreza e no testemunho de São Francisco de Assis, para acolher o sofredor e a sofredora de rua. A Congregação é única, com dois ramos, masculino e feminino, ainda não reconhecida pelo Direito Pontifício

FORMAÇÃO: (esta pesquisa foi efetuada em uma fraternidade feminina)
Possuem etapas distintas de formação, embora não haja um programa específico em cada uma delas.O que difere uma etapa da outra são as vestes. A mínima formação que têm, baseia-se nas cartas escritas pelo Pe. Roberto e divulgadas nas fraternidades.
Etapas e critérios de admissão: Basta sentir-se atraído pelo carisma e missão da Toca de Assis, fazer encontros vocacionais regionais e nacionais, onde o próprio Pe. Roberto conversa com os candidatos, admitindo-os ou não como integrantes da fraternidade. Não há limite de idade ou exigência de grau de escolaridade.
1. Pastoral Vocacional: é feita pelas próprias jovens aspirantes ou postulantes. As candidatas podem ser vocacionadas externas ou internas, período em que já participam da vida da fraternidade, usam a camiseta e a saia marrom, e já cortam o cabelo bem curto.
2. Aspirantado - período de aproximadamente um ano. A jovem continua na missão a que foi destinada e recebe as vestes de aspirante. Não há prioridade para qualquer tipo de formação, acredita-se que quem forma é Jesus Sacramentado e o exercício da missão.
3. Postulantado - período de dois anos. A jovem recebe outras vestes, distintas das de aspirante. Continua sua missão, empenhando-se na vida fraterna. Não há qualquer tipo de acompanhamento específico. Geralmente elas mesmas são responsáveis da sua formação. .
4. Noviciado - um ano. A jovem recebe o hábito marrom e o véu branco. Reside numa casa própria para noviciado, sendo acompanhada por uma mestra. Findo este período acontece a consagração.
5. Juniorato - Uma vez consagrada a Irmã troca o véu branco pelo véu marrom, e renova anualmente os votos por um período de cinco anos, depois do que emite profissão perpétua.

As duas jovens entrevistadas afirmaram terem optado pela Toca de Assis devido a radicalidade do estilo de vida e do trabalho com os pobres sofredores de rua. Uma dela, Flávia, apesar de ainda ser postulante de primeiro ano, já é “guardiã” da fraternidade, sendo responsável por mais catorze jovens, todas aspirantes e postulantes, além de dezesseis sofredoras de rua que ali residem. Não há qualquer tipo de prioridade para nenhum tipo de formação, seja intelectual, acadêmica, humana ou religiosa. As únicas que podem continuar estudando são as que entram com menos de 18 anos e ainda não concluíram o ensino médio. Com mais idade, mesmo que não se tenha estudado, não há necessidade de continuar.

ESTATÍSTICAS

tabela referente ao índice de perseverança

PERÍODO: de 1995 a 2005
ENTRADA: -
PERSEVERANÇA: -
ÍNDICE DE PERSEVERANÇA: -
TOTAIS EM 2005: 2600 incluindo homens e mulheres em todas as etapas de formação

tabela referente á atual faixa etária dos membros da Ordem

FAIXA ETÁRIA - Nº DE MEMBROS - ÍNDICE
18 a 50 anos : 2550 - (98%)
51 a 65 anos : - (1,5%)
mais de 66 anos : - (0,5%)

O ramo feminino têm:
▪ 52 irmãs consagradas
▪ 120 noviças
▪ Além de inúmeras aspirantes, postulantes e vocacionadas.

Em 1996 tinham (entre rapazes e moças): 80 jovens.
Comparando com 2005 = 2600 jovens, temos um aumento em números de membros, de 3250% em 9 anos.

Em 2004 tinham: 82 fraternidades e em 2005 tem 96 fraternidades.

OBSERVAÇÃO: Pesquisa efetuada na FRATERNIDADE DE ALIANÇA TOCA DE ASSIS, feminina, situada à rua Tsutomi Suzuki, 45 - São Paulo.

6. ASSOCIAÇÃO PÚBLICA INTERNACIONAL DE FIÉIS ARAUTOS DO EVANGELHO

FUNDADOR: JOÃO CLAER DIAS
DATA DA FUNDAÇÃO: 21 de setembro de 1999.
ORIGEM: Devoto de Nossa Senhora e pertencente a 3º Ordem do Carmo, João Claer, juntamente com alguns companheiros universitários vendo a necessidade de evangelizar cada vez mais presente na Igreja, resolveram se unir e fundar uma associação que tivesse com base uma nova evangelização.

CARISMA: Atrair as famílias e os jovens através do belo, da beleza dos ritos, da cerimônia das celebrações, da roupa, procissões, teatros, músicas etc. Através dessa beleza as pessoas se encantam e se volta para Deus.

CONTEXTO DE FUNDAÇÃO: O apelo do Papa para trazer de volta à Igreja os católicos não praticantes ao constatar uma evasão dos fiéis nas celebrações.

TRABALHOS REALIZADOS: Os trabalhos têm como objetivo levar a esperança nos lar de idosos, presídios, nas famílias , hospitais etc.

FORMAÇÃO: São controlados pelo Pontifício Conselho para os leigos. A formação realiza-se da seguinte forma:
Aspirantado de dois anos onde estudam o catecismo da Igreja católica. Após esses dois anos estudam os ensinamentos do Papa, os documentos da CNBB, os santos padres etc.
O membros que desejam maior radicalidade podem se consagrar, assumindo compromisso com a Associação, mas não em virtude de votos religiosos. O surgimento de moças que queriam se consagrar e de rapazes que queriam ser ordenados sacerdotes, foi uma novidade, sendo preciso alterar os estatutos. Mas todos eles estão a serviço dos Arautos, vivem em comunidades e são chamados de Irmãos Associados e Irmãs Associadas.

ESTATÍSTICAS

tabela referente ao índice de pérseverança

PERÍODO: -
ENTRADA: -
PERSEVERANÇA: -
ÍNDICE DE PERSEVERANÇA: -
TOTAIS EM 2005: 2500 membros (aproximadamente)

tabela referente á faixa etária dos membros da Ordem
FAIXA ETÁRIA - Nº DE MEMBROS - ÍNDICE
18 a 50 anos: - (90%)
51 a 65 anos: - (8%)
mais de 66 anos: - (2%)

ESTATÍSTICAS:
Atualmente no Brasil são 65 casas, com aproximadamente 2.500 integrantes com faixa etária de 13 aos 80 anos aproximadamente, sendo que muitos vivem nas famílias e nos finais de semana se encontram para realizar os trabalhos.

OBSERVAÇÕES:
▪ Apesar dos Arautos do Evangelho não serem uma Congregação Religiosa, mas sim uma Associação de Leigos com Aprovação Pontifícia, decidimos incluí-los na pesquisa, tendo em vista que também formam comunidades femininas e masculinas, têm um processo formativo e atraem muitos jovens.
▪ A entrevista foi feita no primeiro sábado do mês, ocasião que os Arautos atendem na Catedral da Sé, uma fez que não houve disponibilidade para que visitássemos a comunidade deles.

TABELA COMPARATIVA nº 01:

Número total de membros dos Institutos pesquisados, com a respectiva taxa de perseverança

Ordem Premonstratense: 26 - 38,3%
Irmãs de São José de Cluny: 35 - 42,8%
Salesianos: 98 - 46,34%
Irmãs Pastorinhas: 64 - 68,57%
Fraternidade de Aliança Toca de Assis: 2600 / -
Arautos do Evangelho: 2500 / -

TABELA COMPARATIVA nº 02:

Porcentagem de membros dos Institutos pesquisados, em cada faixa etária

18 a 50 anos:
38,4% (O.Prem) - 37,4% (irm. S.J.) - 39,7% (Sal.) - 26,56% (irm. Past.) - 98% (Toca) - 90% (Ar.)

51 a 65 anos:
23% (O.Prem.) - 40% (irm.S.J.) - 27,5%(Sal) - 46,88% (irm. Past.) - 1,5% (Toca) - 10% (Ar.)

acima de 65 anos:
38,4% (O.Prem.) - 22,8% (irm. S.J.) - 38,7% (Sal) - 26,56% (irm. Past.) - 0,5% (Toca) - 0% (Ar.)

CONCLUSÃO

Partindo de nossa própria experiência pessoal como membros de congregações Religiosas, da problemática levantada, das leituras feitas, pressupostos, hipóteses, dos dados conseguidos nas pesquisas e nos debates em grupos, foi possível analisar mais detalhadamente o assunto e perceber quão profundo e intrigante é o mesmo. Sem dúvida, cada um de nós vive esta problemática muito de perto: percebemos nossas congregações envelhecendo dia-a-dia. Isto, porque há um contingente de membros que sustenta o carisma e a missão com seu trabalho e doação, porém o tempo passa, e o número de jovens vocacionados, realmente dispostos a assumir a caminhada formativa, não é suficiente para, num futuro próximo, garantir a manutenção da missão nos mesmos níveis do presente, isto sem nem mesmo falarmos em expansão. Acabamos nos acomodando com a idéia de que vivemos numa época de pós-modernidade, onde os jovens não se interessam mais pela vida consagrada. Não raro escutamos em nossas instituições os seguintes chavões: "vivemos uma mudança de época, não teremos mais conventos cheios" ou "é melhor ser poucas, mas com maturidade para levar em frente o carisma". Parece que estamos fadados a definhar… No entanto, o ideal carismático aquece os nossos corações, ficamos entusiasmados, apaixonados, acreditamos no seguimento a Jesus no estilo próprio de nossos institutos. Mas porquê tão poucos jovens se entusiasmam? É a grande incógnita que nos questiona.
E tal incógnita assume proporções ainda maiores quando nos deparamos com as novas congregações que conseguem atrair números de vocações inimagináveis em nossos dias para qualquer congregação Tradicional, o que ficou comprovado em nossas pesquisas.
Não podemos, depois do estudo feito, sermos simplistas e afirmar que tais congregações simplesmente “arrebanham" vocações e não tem consistência, que fazem "lavagem cerebral”, e tantas hipóteses levantadas sem comprovação. Não obstante tenhamos percebido que há deficiências na formação, ficou claro que há uma certa seriedade, até mesmo na admissão de vocacionados, havendo uma seleção, sobretudo na Toca de Assis, onde o número dos que desejam entrar é muito maior, do que os que efetivamente entram. A questão é porque e como atraem tanto! Resta-nos concluir, a partir de afirmações colhidas nas entrevistas, que é a radicalidade da vida e da missão, a dedicação aos pobres e sofredores de rua, as visitas aos hospitais, as famílias, aos presídios, etc. Os jovens entram e passam a viver concretamente a missão, não dependem de uma longa formação para realizar o trabalho os atraiu. Nossa sociedade é imediatista e o jovem vê a possibilidade de realizar seu idealismo também de maneira imediata.
Em contra-posição nossas congregações tradicionais têm planos formativos tecnicamente invejáveis. Porém deixamos de lado o idealismo dos jovens e oferecemos muitas vezes um estilo de vida "aburguesado" que teimamos em afirmar ser pobreza. Salta aos olhos juvenis certa incoerência. E talvez os próprios formandos sejam a maior propagandas dos institutos: se aqueles que entram não conseguem vislumbrar em nossa vida o respaldo do seu idealismo, acabam moldando-se a caminhada formativa, porém não se entusiasmam por ela. Poucos conseguem ter uma visão mais abrangente e perceber a missão que o instituto desenvolve, e para a qual estão sendo preparados. E dizia sabiamente D. Helder Câmara: "As palavras comovem, mas os testemunhos arrastam."

Assim, por um lado, acreditamos que congregações novas, como a Toca de Assis, literalmente arrastam pelo testemunho de seus membros. Recém-fundada e com pouca estrutura doutrinária, tem na alegria e na radicalidade da pobreza o grande testemunho capaz de atrair tantos jovens. Por outro, a pouca exigência formativa e a prática quase automática de ritos, num devocionismo exacerbado e até "cego", encontra eco na partilha de vida, no abrir o coração. Ora, ao mesmo tempo porque há uma valorização do sentimento, do emocionalismo, pouco se exige em nível de pensamento de decisão. Basta "sentir, abrir o coração que Jesus Sacramentado dá a graça", é um discurso comum entre os toqueiros.
E hoje quantos de nossos jovens querem esquivar-se da incomoda tarefa decidir, de posicionar-se frente as mais diversas situações! Comportamentos padronizados são mais fáceis. Também isto pode ser claramente observado nos Arautos do Evangelho, que primam pela beleza de um comportamento altamente padronizado.
E nós das congregações mais tradicionais, valorizamos muito mais a razão, a maturidade, a capacidade de decidir em detrimento da emoção, do sentimento - acabamos rotulando de emocionalismo, de alienação… E será que a alegria de seguir Jesus Cristo, a paixão pelo seu projeto, o amor a Deus e ao próximo não são sentimentos essenciais, motivadores de nossa missão? A própria fé não tem sua dimensão emocional?
Aí vemos confirmar nossa primeira hipótese, ou seja, temos medo de abrirmo-nos para o novo e com certeza temos medo também de voltar ao espírito carismático da fundação de nossas congregações. Talvez aproveitar nossos planos de formação tão bem elaborados, com maior abertura a radicalidade carismática, que faça transparecer uma maior coerência de vida fosse um bom caminho.
Em nossa segunda hipótese, questionamos a exterioridade das vestimentas como fator de atração. Sem dúvida esta também tem seus fundamentos. O uniforme padroniza um grupo - vesti-lo faz o jovem consolidar a sua pertença a este grupo e isto é chamativo, sobretudo na sociedade atual. Dá identidade ao jovem, mesmo que exteriormente. Como por exemplo os Arautos do Evangelho, com vestes diferentes e chamativas conforme as etapas, e o próprio carisma é de atrair as pessoas pelo belo, isto é, a beleza das coisas (ritos ,cerimônias, solenidades, etc..) que, sem dúvida, podem aproximar as pessoas de Deus, mas inconscientemente podem também ser um convite ao jovem a sair do anonimato e mostrar a sociedade que eles têm valor e que querem ser respeitados e reconhecidos.
Partindo do pressuposto que depois do Vaticano II os leigos passaram a ter mais espaços na vida da Igreja, constatamos que isso gera suas conseqüências: os Arautos são uma associação de leigos e mesmos os que querem se consagrar como Irmãos Associados ou Irmãs Associadas não emitem votos, apenas assumem um compromisso. É uma valorização maior da vida leiga. O que afeta também, diretamente nossas congregações, afinal, um jovem pode dedicar-se a Igreja, assumir compromissos, sem necessariamente precisar ser uma religioso(a).
Enquanto que nas nossas congregações há uma hierarquia, uma exigência de comportamento, em institutos como a Toca de Assis, por exemplo, uma postulante, pode ser “guardiã ” de uma comunidade, que pode ser formada apenas por jovens, sem nenhuma irmã consagrada. Não podemos esquecer que também há aí o choque de gerações: enquanto os membros de nossas congregações trazem consigo uma herança da formação que tiveram e, mesmo os que estão abertos diálogo com os jovens, encontram resistências pessoais, com medo do novo, nas novas congregações, os membros são prioritariamente mais jovens, e não carregam a bagagem de um outro estilo formativo,maias adequado a tempos passados.
Para muitos, professar os conselhos evangélicos em forma de votos é prender-se a uma instituição, na qual não se tem certeza de até quando vai ficar. Hoje o radicalismo da vida consagrada me chama atenção, mas e amanhã? Fazer votos por toda a vida é mais complicado!
Outro dado confirmado é a terceira hipótese. Na tendência atual que vivemos, de uma religiosidade que satisfaça as necessidades básicas do ser humano, os movimentos eclesiais estão em ascensão. Há confronto e não aceitação destes movimentos por parte das congregações mais tradicionais, enquanto as novas os acolhem com facilidade.
Percebemos através dessa pesquisa, que se faz necessário, nas congregações mais tradicionais, uma mudança no planejamento e na pratica da formação, desde os encontros vocacionais até a profissão propriamente dita, além de uma necessidade de integração maior entre a tradição e os tempos modernos, no que diz respeito às necessidades da Igreja, com maior abertura para o novo.E nos novos institutos, que estão recebendo um número maior de candidatos, em especial a Toca de Assis, que se caracteriza como Congregação Religiosa, um maior investimento na área formativa, em vista o futuro, sem perder as características próprias, de radicalidade e alegria.
Diante dessa realidade constatada, das reflexões feitas, surgem-nos novos questionamentos: Como as congregações tradicionais podem se abrir ao novo, sem cair no extremo e perder suas características inerentes? Até quando essas novas congregações que ainda não passaram por crises irão subsistir?
Sem dúvida não temos respostas prontas, mas percebemos que pistas existem. Quem sabe, como membros relativamente novos em nossas congregações, começamos a unir forças, e dar passos para que o futuro seja mais promissor? É nossa esperança!

FONTES CONSULTADAS:

1. ADRIAANSEN, G. Vida de São Norberto. Vozes, Rio de Janeiro.
2. ANUÁRIO 2005 DA INSPETORIA SÃO PIO X
3. CARRANZA, Brenda. Lógicas e Desafios do Contexto Religioso Contemporâneo. REB, p. 46-63, jan. 2005,
4. CONSTITUIÇÕES E ANAIS DE SÃO JOSÉ DE CLUNY e dados obtidos da Vice-Província do Brasil.
5. FERNANDES, Silvia Regina Alves. Vida Religiosa Feminina, novas interpretações frente a modernidade contemporânea, Revista Eletrônica de Ciências Sociais, Paraíba, nº 1, abril de 2000. Disponível em: . Acesso em 04 de maio. 2005.
6. INFORMATIVO ESPAÇO NORBERTINO. set-dez. 1999.
7. INSPETORIA SALESIANA SÃO PIO X. Porto Alegre, RS / Brasil. Disponível em: . Acesso em: 11 de maio 2005.
8. MARIANO, Denílson. Projeto Novas Gerações. Mudança de época e novas gerações. Disponível em: . Acesso em: 10 de maio 2005.
9. PLANO GERAL DE FORMAÇÃO E ESTUDOS DAS IRMÃS DE JESUS BOM PASTOR - PASTORINHAS.
10. REGRA DE VIDA DAS IRMÃS DE JESUS BOM PASTOR - PASTORINHAS. Artigos 1 a 69.
11. SITE , do Arautos do Evangelho - Associação Internacional de Direito Pontifício. Acesso em: 10 de maio 2005.
12. SITE , da Fraternidade de Aliança Toca de Assis. Acesso em: 04 de maio 2005.
13. SITE , da ORDEM PREMONSTRATENSE NO BRASIL. Acesso em: 10 de maio 2005.
14. SOCIEDADE DE SÃO FRANCISCO DE SALES. Roma / Itália. Disponível em: . Acesso em: 11 de maio 2005.
15. VAN DYCK, L. São Norberto Fundador dos Premonstratenses. In Grande Sinal, nº5, Vozes, Rio de Janeiro, junho de 1984.

Sobre a comunidade

Catálogo
23/10/09 Catálogo da Abadia de Jaú
 
Validar