Aliança Norbertina

Abade Geral Dom Tomás Handgrätinger 23/12/07

A Ordem Premonstratense no mundo atual

O CERP (Centre d’Études et de Recherches Prémontrées) é um centro de estudos e investigações Premonstratenses, fundado pela abadia de Mondaye em 1976, para criar um vínculo entre pesquisadores e amigos da história da nossa Ordem. A sede social do Centro encontra-se na abadia de Prémontré.
O 33° colóquio teve lugar em Freckenhorst (Alemanha), no mês de agosto de 2007.
Depois da abertura pela presidenta, a senhora Plouvier, o abade geral deu uma conferência, que publicamos aqui.

Estimada Senhora Doutora Plouvier, Presidenta do CERP,
Estimados participantes deste 33º colóquio do CERP em Westfalen,
Queridos confrades,
Estimadas senhoras e estimados senhores,

1. Introdução

Em primeiro lugar, agradeço-lhe cordialmente o convite e a iniciativa para este encontro, numa região que é quase premonstratense, com muitas antigas casas da nossa Ordem; lembro-me de Cappenberg, Clarholz e Oelinghausen que vamos visitar.
O 33º encontro do CERP, com o título “Noviciado, preparação e ensino dos Premonstratenses”, abrange toda a formação em nossa Ordem. O tema é muito exigente, porque, fundamentalmente, a formação da nova geração constitui o maior desafio para uma comunidade. Isso vale sem dúvida para hoje; provavelmente não era muito distinto, no passado, se bem que naquele tempo, o ambiente comum era geralmente marcado pela religiosidade e formado pela fé cristã.

2. Flashes

No início desse encontro, sem dúvida interessante e importante, gostaria de dar, como abade geral, um par de flashes sobre a Ordem hoje.

- 2.1 Uma Ordem universal
A Ordem Premonstratense é constituida atualmente por 44 canonias autônomas e está presente em todos os continentes. Sem levar em conta as casas ou priorados dependentes, estas canonias dispersam-se nos continentes, da seguinte maneira: América do Norte 5, América Latina 2, África 1, Índia 2, Austrália 1, Europa 26, no total 37 canonias. Além disso, há 7 canonias de cônegas, representadas, normalmente, pelo capelão: Bonlieu (França), Doksany (República Checa), Zwierzyniec (Polonia), Toro e Villoria (Espanha), Oosterhout (Países Baixos), Veerle (Bélgica). Desta maneira, as 44 casas da nossa Ordem (abadias, conventos, canonias) se encontram em 16 Países. Os premonstratenses vivem e trabalham em 23 países distintos. Eles encontram-se ainda principalmente na Europa (57 % da Ordem). Porém, o acento desloca-se lentamente: o número cresce na Índia (quase 20 %), América Latina (10 %), África (8 %). Na Europa Central, especialmente na República Checa, a Ordem ganhou nova força: no Oriente, no total 11 %. Aqui, na Alemanha, há três abadias, Hamborn, Speinsart, Windberg; junto com as três abadias austríacas, Geras, Schlägl e Wilten, elas pertencem à circaria de língua alemã. Hamborn mantém um priorado em Magdeburgo, uma casa nova em Sayn, e a paróquia de Cappenberg. Há 25 anos, Windberg abriu um priorado em Roggenburg (um antigo convento imperial); Geras mantém em Fritzlar um priorado com 5 irmãos. Geras começou um priorado mais afastado, no Brasil, em Itinga (Salvador da Bahia) e Natal. Fora disso, 13 irmãos da Índia, que pertencem à fundação de Tepl/Obermedlingen em Mananthavady (Kerala - Índia) moram na Alemanha: 10 em paróquias e 3 estudantes. Desta maneira, a circaria de língua alemã tem 280 membros (20,66 % da Ordem); ela tem 155 membros versados na língua alemã, ou seja sem levar em conta Itinga (Brasil) e os irmãos de Mananthavady (Índia) em Alemanha: 11,44 % da Ordem.

- 2.2 Estatística
Do ponto de vista puramente estatístico, a Ordem tem exatamente 1355 membros, dos quais 955 são sacerdotes e 9 diáconos. Contando os irmãos em formação - o que aqui nos interessa especialmente - há neste momento 162 estudantes preparando-se para o sacerdócio: 138 professos simples e 24 professos solenes. Este grupo seria suficiente para que nós abríssemos uma faculdade. Fora disso, 76 noviços no mundo inteiro dedicam-se atualmente a inserir-se em nossa vida, e 65 aspirantes preparam-se para esse tempo de integração. Contando também os 9 juniores que desejam tornar-se irmãos leigos, atingimos um total imponente de 312 jovens homens que estão na formação ou que caminham para ela. Percebemos aqui um desafio, mas igualmente um enorme potencial de irmãos jovens a nós confiados. É a responsabilidade da Ordem, e mais ainda, das distintas canonias, de oferecer uma formação boa e sólida para esses jovens esperançosos.

- 2.3 A situação
A nossa Ordem tem uma estrutura descentralizada e é composta unicamente por canonias independentes e autônomas (canonia sui iuris). Por conseguinte, seria necessário considerar cada casa separadamente. Não obstante, pode-se dizer que a Ordem tem regiões de acréscimo, especialmente na Índia, na África e no Brasil; as duas casas de Orange (Califórnia, EUA) e Strahov (Praga, Rep. Chéca) alegram-se particularmente do seu crescimento. Porém, tem regiões que encontram grandes problemas de recrutamento: atualmente sofre disso a circaria brabântica, envolvida numa profunda decristianização; o mundo se seculariza, especialmente na Bélgica, onde a Igreja experimenta muita contrariedade. Algumas casas pequenas são realmente postas em perigo, muitas outras, com um grande passado, perdem força. Também as nossas casas femininas atravessam dificuldades. Felizmente há duas fundações novas: Tehachepy (EUA) e Doksany (Rep. Chéca), porém outras não vão sobreviver (Veerle, Bonlieu, Rot, Berg Sion). O tema, sem dúvida importante, deste encontro é a formação; mas, tudo se torna um problema, quando faltar um bom incremento e suficientes vocações.

- 2.4 Reações
Esse problema é tratado em encontros e colóquios organizados em distintos níveis da Ordem. Assim, o encontro dos formadores em Tongerlo, no ano 2005, não se limitou a tratar a questão da formação, mas tratou também da pastoral vocacional. Na minha palestra, consagrei um capítulo à questão: “Trabalho do formador e pastoral vocacional”. No ano seguinte, em 2006, durante o Capítulo Geral em Freising, um dia inteiro ficou reservado para o tema “Incremento e pastoral vocacional”. Entre outras coisas, alguns irmãos apresentaram a sua própria história vocacional; trabalhos e modelos de algumas casas, relativos ao trabalho vocacional, foram também expostos e discutidos em grupos lingüísticos. Nas distintas zonas lingüísticas, os encontros regionais dos formadores da circaria não se limitam a uma troca de informações sobre a situação atual, muitas vezes difícil, das casas; cada vez retoma-se como tema o que foi emprendido, no nível da pastoral vocacional. Seguem aqui ainda três últimos exemplos.

- 2.4.1 As irmãs eslovacas
A congregação de nossas irmãs premonstratenses eslovacas publicou a sua própria Ratio Institutionis “Duc in altum”; toda a problemática da formação e integração de mulheres jovens na Ordem foi refletida e descrita de novo.

- 2.4.2 Windberg
No suplemento de nossas Constituições dá-se uma página, só com orientações para a formação durante o primeiro ano do noviciado. Nela descreve-se, de maneira muito geral, o conteúdo do ensino para os noviços do primeiro ano. Assim, Windberg colocou-se a elaborar um regulamento para o noviciado e para o juniorato: reuniu-se toda a matéria relevante, com inclusão dos ritos da integração (a vestição e a profissão), para aprofundá-la num processo de discussão na comunidade, antes de adotá-la por votação. Um capítulo trata da pastoral vocacional. Este regulamento poderia servir de modelo para um regulamento mais geral na circaria de língua alemã. Em Tongerlo, dirigi-me aos mestres de noviços presentes, sugerindo elaborar uma Ratio Institutionis, ou seja, um programa para a formação em nossa Ordem inteira. Até hoje, o estímulo ficou sem efeito. Nós continuamos a ser uma ordem descentralizada. A formação constitui um assunto profundamente próprio de cada casa. Mas valeria a pena tentá-lo.

- 2.4.3 De Pere
A última iniciativa importante sobre a qual podemos informar, realizou-se em De Pere (Wisconsin). O capítulo canonical, ou seja o grêmio mais importante da casa, preocupou- se durante vários dias com a questão relativa à segurança do futuro: Qual é a imagem que nós temos de nós mesmos? Como vivemos enquanto premonstratenses? Somos ainda atrativos para os jovens? Como nos apresentamos, ao olhar de jovens que procuram uma vida segundo os votos? A quais jovens, sobretudo, gostaríamos de atrair? Qual é o nosso investimento pessoal e comunitário a respeito? Como nos tornamos ímans, que atraem, de maneira bem fundada, àqueles que desejam dedicar a sua vida ao Evangelho?
Nestas frases, percebe-se a seriedade, a urgência e a importância que a questão da pastoral vocacional possui para a sobrevivência das casas. O abade de De Pere escreveu: “Tivemos uma discussão séria sobre a pastoral vocacional, que de fato desembocou numa discussão sobre nós mesmos, especialmente sobre as relações que temos uns com os outros. Houve momentos espinhosos, mas a troca foi boa e se mostrará certamente útil, como base para discernimentos futuros”.

3. A formação atual em nossa Ordem

- 3.1 A situação formativa hoje
A situação das casas, relativa à formação, mudou muito em comparação com o passado. Entram menos candidatos: só um, ou dois, raras vezes mais. Às vezes, eles têm mais anos do que no passado, começam uma segunda tentativa, terminaram outro estudo, ou têm uma experiência profissional. Chegam candidatos que, às vezes, não viveram uma socialização católica normal, “jovens pagãos” abertos e com interesse, mas às vezes sem fundamento, ou seja, sem uma prática de fé durante os anos da infância e da juventude. Cheios de expectativa, eles entram num mundo desconhecido. Em muitos seminários, a resposta consistia num “Propedêutico” com aulas de iniciação, semelhantes a um noviciado, antes de começar o estudo. No noviciado, os problemas provocam talvez grandes desigualdades: formandos em teologia ao lado de iniciantes na fé, maiores de idade com experiência matrimonial e profissional, ao lado de jovens de 19 ou 20 anos, que saem do ensino médio. Um mestre de noviços dizia: “Hoje, quase todos os candidatos devem ser acompanhados individualmente, para evitar grandes erros no começo”. Nos noviciados e junioratos maiores do passado, isso não era possível, mas talvez não era necessário. A expectativa inarticulada da comunidade pesa mais sobre os candidatos. Eles devem assegurar o futuro da casa. Acima disso, muitas vezes eles são confrontados com conventos muito idosos, com muitos avós, com muitas tradições e estruturas amarradas. Por todo lado, uma situação difícil.

- 3.2 Situações para a formação na Ordem
As situações são muito distintas. Os estudos de filosofia e de teologia começam depois do noviciado, - é regra geral um ano canônico, mas às vezes também dois anos. Na Bélgica, a circaria organizou AGRIPO, com seu próprio programa completo de formação, com professores premonstratenses de distintas abadias; em Orange, Itinga e Kinshasa, as casas oferecem a formação filosófica; em Chicago há uma casa para os estudantes de De Pere e Daylesford, em Budapest há uma casa para os estudantes de Gödöllö e de Csorna. Na nossa casa geral em Roma, há o “Collegio San Norberto” que acolhe não só estudantes de teologia, mas também estudantes da Ordem que se doutoram. Neste momento, moram lá juniores de Orange, Manchester e Magnovarad que estudam teologia. Os nossos irmãos e os outros estudantes, estudam em distintas universidades de Roma. Desde muito tempo, existe o sonho de abrir a abadia de Park para estudantes da Ordem: a abadia fica muito perto da cidade e universidade de Lovaina.
Na Alemanha e Áustria, depois do noviciado, os jovens estudam na universidade ou num instituto superior: 1° no Sul: Regensburg, Munique, Augsburg, Benediktbeuren; 2° no Norte: Bonn, Münster, Frankfurt, Bochum; 3° na Áustria: Linz, Viena, Innsbruck. Geralmente os nossos estudantes moram num seminário ou numa casa religiosa. Enquanto seja possível, eles voltam para sua comunidade, no fim da semana. Muitas vezes, eles são muito inseridos na formação normal das dioceses. O estudo termina com o diploma (“dipl. theol.”) ou com o título de mestrado (“mag.theol.”). Depois dos estudos, vem um ou dois anos de formação pastoral prática. Durante aquele período, o irmão recebe a ordenação diaconal, pelo menos se ele se comprometeu com a sua canonia pela profissão solene, depois de um juniorato de ao menos três anos. Oferece-se um acompanhamento intensivo para o ano pastoral, como também para os estágios no ensino, na clínica, na empresa ou em outras organizações importantes para a formação. Hoje é uma evidência para todos que, além dos primeiros anos de trabalho sacerdotal, os padres devem continuar durante a vida inteira o seu estudo e a sua formação. Aqui, convém mencionar isso expressamente, sem mais.
Felizmente, sempre de novo enviam-se irmãos jovens, depois da ordenação ou talvez depois duma experiência pastoral, para continuar o estudo ou para uma especialização. Têm muitos lugares para isso. Roma se oferece. Se bem que o trabalho científico não pertença expressamente às nossas atividades principais, encontram-se na nossa Ordem exemplos muito positivos de carreiras acadêmicas. Cada doutorado e cada magistratura trazem vantagens para a casa e para a Ordem. Que os talentos não fiquem enterrados, que sejam promovidos e bem aproveitados!

- 3.3 Algumas orientações e acentos subjetivos
Jürgen Moltmann, um teólogo evangélico, se queixou na sua bibliografia que, nem uma ligação eclesiástica, nem uma formação humanística geral, formam atualmente parte do ensino da teologia na universidade. Ele constatou isso em 1949, faz quase 50 anos. Periodicamente se critica a teologia, numa forma evidentemente sujetiva. Talvez já não seja possível pressupor uma formação humanística geral, nem uma ligação eclesiástica.
Para começar, gostaria de propor uns elementos pessoais. Para mim, o interesse para a literatura e para a arte foi sempre importante e prestimoso para a evangelização. Para isso, a formação escolar me deu elementos fundamentais. Os meus conhecimentos de história e filosofia são um pouco mais fracos, se bem que me lembre dum professor de história da filosofia muito engajado. A exegese era de segunda categoria; não se procurou uma concatenação global, nem houve uma verdadeira fundamentação bíblica. A importância dada às disciplinas práticas era insuficiente, e não houve oportunidade para um ano pastoral. Estes déficits motivam um pouco os estímulos que dou.
Uma sólida formação filosófica é para mim indispensável. Neste terreno, o empreendimento das casas é admirável. As discussões atuais sobre o tema fé e razão, as questõs da neurologia, da neurobiologia e da bioética, pressupõem uma boa formação filosófica.
Também a exegese do Antigo e do Novo Testamento será fundamental no futuro. Certo, uma formação exegética competente é necessária, porém o amor pelas Escrituras, e uma fidelidade na leitura bíblica são imprescindíveis.
Faz dois anos, algumas dioceses ampliaram a prática, transformando o ano pastoral em dois anos, para aprofundar e intensificar a familiarização prática com a direção das comunidades. Para uma Ordem tão orientada para a pastoral como a nossa, é muito desejável, neste tempo, especialmente para os primeiros anos de governo duma paróquia, um acompanhamento atento, como também uma supervisão e uma reflexão sobre as experiências feitas. Oxalá que uma equipe formadora assuma nas casas, a responsabilidade pelo conteúdo da formação a todo nível, e ofereça também o acompanhamento necessário e a animação.

4.Resumo: raízes e asas

O abade emérito Angerer citou uma vez, num artigo, uma dica africana: “Tudo o que você pode transmitir a seus filhos, são raízes e asas”. Gostaría de aplicar uma vez esta dica para nossos “filhos”, a juventude da nossa Ordem. São adultos, sim, mas se encontram ainda no começo da sua vida religiosa. Que é o que podemos entregar aos nossos jovens?

Raízes
Em primeiro lugar, as raízes da nossa vida, das quais brotou a nossa Ordem. São as raízes da fé e as tradições da Ordem. A fé nos coloca hoje diante desafios totalmente novos: manter-se frente a um mundo racional que tem fé na ciência. Observa-se também o empenho do Papa Bento para unir fé e razão, para consolidar a fé como um caminho específico e uma contribuição importante para a concepção e a realização do mundo, para manter a capacidade da fé afim de competir com as multiformes agressões do secularismo, do indiferentismo, do relativismo e do pagmatismo. Para isso postulam-se também sérias discussões em nossos conventos e em nossos centros de formação. Os desafios inteletuais e as exigências para as ciências do espírito acrescentaram, por que muitas estruturas e apoios socialmente plausíveis, no âmbito da fé, se desmoronam. Espera-se da fé que se manifeste mais como testemunho, como profissão, como decisão e firmeza pessoal, mas também como concepção e visão inteletualmente bem fundada. Além da formação acadêmica, é necessário treinar a confrontação da fé, aprofundá-la, dar-lhe individual ou comunitariamente uma expressão viva. O mandamento de levar o fardo do outro, vale também para nós, membros de comunidades religiosas, e se aplica especialmente, onde a fé é compartilhada e onde se constrói a Igreja por dentro e para fora, a partir da fé.

O conhecimento da tradição própria da Ordem e de seu patrimônio, toda a sua riqueza espiritual constitui um elemento fundamental da formação. O conhecimento da nossa origem e da nossa história é fundamental, para compreender a nossa vida canonical, e também para prossegui-la com fidelidade criativa. Assim se justificam também os encontros históricos, organizados pelo CERP ou outras entidades culturais. O retoque atual das Constituições encontra sem dúvida uma freqüente exigência de voltar à origem, de explorar as nossas fontes espirituais, de introduzir elementos específicos da Ordem.

Asas
Que é que pode dar entusiasmo a nós, ou à gente jovem, para viver ou assumir a nossa vida? Que é que podemos entregar aos jovens, para que o levem literalmente para o futuro? A nossa vida e nosso exemplo constituem algo indispensável. Muitas vezes foi ou é justamente um irmão determinado que abriu a pista para o jovem, que o confrontou com a vocação e que o levou a ponderá-la. O testemunho dos pais, dos educadores, dos religiosos e de nossos irmãos será indispensável no futuro. O fato, que os jovens procuram muitas vezes verdadeiras alternativas, desafios radicais, modelos de vida fora do estilo de vida burguês, significa para nós uma interpelação contínua.

Em todo caso, sou pessoalmente convicto que, como premonstratenses, podemos oferecer para o futuro, uma visão, um modelo aceitável para a Igreja e para jovens, um modelo com os dois elementos fundamentais da comunidade e da missão. (O título do recente congresso dos cônegos agostinianos era: “comunidade e missão”).
O nosso modelo de abadia, com a vida comunitária realçada, com uma liturgia ativa e atrativa, com inserção e capacidade de sentir as questões e os problemas da época, e por outro lado, com várias responsabilidades importantes pastorais na paróquia, na escola, na pastoral da juventude, nas pastorais especiais, todas elas realizadas e levadas pela comunidade, - este nosso modelo parece-me uma solução para levar a cabo a missão pastoral no futuro, a partir de centros irradiantes e de centros de espiritualidade, como conventos, lugares de peregrinação, paróquias importantes, centros de formação. Importante será sempre a comunidade que leve e inspire aquela organização. Para isso encontramos em nossa Regra e Constituições uma orientação e uma força espiritual, baseadas em nossa tradição de cônegos regulares, e inspiradas pelos nossos Padres Santo Agostinho e São Norberto.

Todo empenho será premiado, se lograrmos aduzir isso para jovens, e se os nossos irmãos jovens conseguirem transmiti-lo.
Que o Senhor da colheita envie trabalhadores para a sua vinha, chamados por Ele, entusiasmados por Ele, formados adequadamente, e apoiados por nós e muitos outros, para lavrar e colher efetivamente na vinha do Senhor. Que o Senhor chame trabalhadores hoje e amanhã e abençoe todo o empenho de nossos irmãos, especialmente dos superiores e dos formadores, no nível da pastoral vocacional e da formação norbertina.

- Uma oração para vocações diz assim:

Deus, nosso Pai,
que chamas teu povo para a santidade,
que chamas os homens para viver em justiça, para amar e perdoar, para servir-se mutuamente.
Abençoa a tua Igreja com muitos ministérios, dons e vocações.
Pedimos-te mais vocações para a vida sacerdotal e religiosa.
Que o Espírito Santo anime muitos jovens para doar-se radicalmente a Cristo.
O Espírito Santo inspire as nossas comunidades
e guie nossas irmãs e nossos irmãos
para um caminho sólido e sensível.
Pedimos isso por Cristo, nosso Senhor.

 
Validar